Atentado a Ranucci: mediador Clesio Tavares, em fuga, diz ao Tg1 que voltará e nega acusações de Lavitola

Clesio Tavares, apontado como mediador do atentado a Ranucci, fala da fuga, nega que Lavitola o acuse e diz que retornará em breve.

Atentado a Ranucci: mediador Clesio Tavares, em fuga, diz ao Tg1 que voltará e nega acusações de Lavitola

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Atentado a Ranucci: mediador Clesio Tavares, em fuga, diz ao Tg1 que voltará e nega acusações de Lavitola

Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes. Em novo capítulo da investigação sobre o atentado contra o jornalista Sigfrido Ranucci, o suposto mediador identificado pelas autoridades, Clesio Gomes Tavares, falou ao Tg1 a partir da África e declarou estar pronto para retornar “prestíssimo”, apesar da ordem de prisão preventiva que pesa sobre ele.

Considerado pelos investigadores o elo entre o mandante e os executores, Tavares — ainda na condição de latitante — afirmou não acreditar que o ex-empresário Valter Lavitola, apontado como suposto mandante, tenha o acusado: “Mi piacerebbe vedere. Il legame con Lavitola va oltre il lavoro. Siamo sempre stati insieme. Perché mi devo arrabbiare con lui? Non mi ha mai fatto niente di male”, disse, segundo a reportagem do Tg1. O fugitivo repetiu que é “testardo” e que quer voltar, mesmo com alertas de que poderia ser preso no aeroporto.

Enquanto isso, Lavitola permanece encarcerado. O juiz para as liberdades (gip) de Roma rejeitou o pedido de substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar apresentado pelo advogado Sergio Cola. No despacho que manteve a custódia em cárcere, o magistrado apontou risco de inquinamento probatorio (contaminação de provas) e perigo de fuga, observando que as declarações prestadas por Lavitola seriam, até o momento, incompletas ou vagas.

O material apreendido — entre eles o telefone celular e o computador pessoal de Lavitola — está sob análise técnica dos peritos da Procuradoria de Roma. Fontes ligadas ao inquérito indicam que essa atividade demandará ainda algumas semanas. Só após o exame integral dos dispositivos é que os investigadores poderão avaliar a necessidade de convocar Sigfrido Ranucci para prestar depoimento como pessoa informada dos fatos, hipótese que, segundo apuração, dificilmente se concretizaria antes de setembro.

Na esteira das declarações colhidas a Lavitola, os defensores dos quatro indiciados apontados pela Dda de Roma como executores do atentado — os advogados Generoso Pagliarulo e Antonio Falconieri — já anunciaram que pedirão a oitiva formal dos seus clientes perante o magistrado. Os quatro — Antonio Passariello, Saverio Mutone, Pellegrino D'Avino e Marica De Filippis (esta sob prisão domiciliar) — optaram pela prerrogativa de permanecer em silêncio durante as primeiras fases da detenção, tendo apenas prestado declarações espontâneas.

As imputações em face desses suspeitos incluem detenção, porte em local público e uso de ordigno explosivo, além de ameaça e dano, qualificadas pela suposta ação em grupo (mais de cinco pessoas) e pela modalidade típica de organização mafiosa. A Dda mantém a investigação em curso, com foco em consolidar a cadeia probatória e esclarecer o papel de cada envolvido.

Da nossa verificação contínua: permanecem incertos os contornos exatos do vínculo operacional entre Lavitola e os executores, questão que os autos esperam dirimir com a análise forense dos dispositivos apreendidos e com eventuais interrogatórios complementares. A audiência de revista (Riesame) referente ao pedido de substituição da custódia de Lavitola pode ser marcada entre o final de agosto e o início de setembro.

Apuração rigorosa, fatos brutos e cronologia processual: a Espresso Italia continua acompanhando o caso, com atenção à evolução das provas técnicas e às medidas cautelares decididas pela Justiça romana.