Cassazione anula prisão de Mohammad Hannoun, acusado de financiar o Hamas; caso volta ao Riesame
Cassazione anulou a prisão de Mohammad Hannoun; caso volta ao Riesame e pode excluir provas dos serviços israelenses. Defesa comemora.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Cassazione anula prisão de Mohammad Hannoun, acusado de financiar o Hamas; caso volta ao Riesame
A Corte de Cassação italiana anulou o decreto de prisão contra Mohammad Hannoun, o ativista e arquiteto palestino de 64 anos apontado pela acusação como suposto financiador do Hamas por meio da Associazione Benefica di Solidarietà con il Popolo Palestinese (ABSpp). A decisão, tomada em sessão colegiada, determina o retorno dos autos ao tribunal do Riesame para nova avaliação.
Hannoun havia sido preso no final de dezembro, no mesmo operativo que levou à detenção de outras seis pessoas. Na sequência, dois investigados — Raed El Salahat e Khalil Abu Deiah — já tinham sido postos em liberdade; permaneciam confirmadas, até então, as prisões de Mohammad Hannoun, Ra’ed Dawoud, Yaser Elasaly e Ryad Albunstanji. A Cassação, contudo, deixou claro que a anulação do decreto de prisão não implica, automaticamente, a libertação dos presos: cabe agora ao tribunal do Riesame reavaliar as medidas cautelares.
Os detalhes formais do provimento ainda não foram divulgados, mas, conforme fontes judiciais consultadas e o histórico do processo, é provável que a Suprema Corte tenha rejeitado a utilização dos documentos provenientes dos serviços de inteligência israelenses que a Procuradoria de Gênova havia juntado aos autos. A exclusão dessas provas já havia sido adotada pelo próprio Riesame e pela procura geral em fases anteriores do procedimento.
O coletivo de defesa, em nota oficial, expressou satisfação com a medida. Os advogados ressaltaram que, à espera das motivações da Cassação, fica evidente a necessidade de reexaminar as posições dos indiciados quando, na peça acusatória, se baseou apenas no envio de alimentos e de transferências financeiras destinados a atividades humanitárias em Gaza. Para a defesa, é relevante também que a Corte tenha considerado inadmissível o recurso da Procura de Gênova para reintroduzir no processo documentos transmitidos por serviços secretos israelenses previamente excluídos.
Nascido e residente em Gênova desde 1983, Hannoun sempre negou as imputações. A investigação da Procura de Gênova sobre possíveis vínculos com o Hamas remonta ao fim dos anos 1990, quando as suspeitas foram arquivadas. Ainda assim, as atividades da ABSpp permaneceram sob monitoramento. Entre 2021 e 2023, diversas instituições financeiras e provedores de pagamento bloquearam contas ligadas à associação após comunicações recebidas do governo de Israel.
Na tramitação anterior, a fundação fora já acusada de mascarar captações de recursos como ações de caridade com fins humanitários, alegação sempre rejeitada por Hannoun e sua equipe jurídica. O atual encaminhamento da Cassação põe o processo em uma nova fase técnica: o Riesame deverá reavaliar a suficiência das provas remanescentes, a legalidade da instrução probatória e a necessidade ou não de manter medidas cautelares.
Do ponto de vista procedimental, a decisão da Suprema Corte enfatiza o controle sobre a admissibilidade de material obtido por vias internacionais e sensíveis, sobretudo quando se trata de informações provenientes de serviços de inteligência estrangeiros. Aguardam-se agora as motivações escritas da Cassação — documento que esclarecerá os fundamentos jurídicos da anulação e balizará o novo exame do Riesame.
Próximos passos: com as razões do acórdão, a defesa e a acusação poderão apresentar novas alegações perante o Riesame. Dependendo da reavaliação, os investigados podem ter as prisões mantidas, convertidas em outras medidas cautelares, ou revogadas. A apuração segue em curso e continuará a ser coberta com base em cruzamento de fontes e acompanhamento dos autos.