Censis: 46,4% dos pais autorizam o uso do smartphone antes dos 10 anos, aponta relatório
Relatório Censis: 46,4% dos pais autorizam smartphone antes dos 10 anos; proteção digital e confiança dos pais em destaque.
RESUMO ✦
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Censis: 46,4% dos pais autorizam o uso do smartphone antes dos 10 anos, aponta relatório
Apresentado em Roma, o relatório Essere genitori oggi. Valori e significati della genitorialità nella società italiana, do Censis, revela um uso cada vez mais precoce do aparelho móvel entre crianças e adolescentes. Em levantamento que reúne percepções dos pais italianos, destaca-se que 46,4% dos responsáveis autorizam a utilização do smartphone até os 10 anos de idade, percentual que sobe para 68,4% até os 11 anos e para 90,4% até os 12 anos.
O relatório também investiga o acesso às plataformas sociais: 46,9% dos pais permitem que filhos de até 15 anos usem redes sociais, enquanto 53,1% negam essa permissão. A confiança na capacidade de autorregulação dos filhos aparece em 69,1% das respostas, mas medidas de proteção digital são frequentes: 55,1% dos pais ativaram ferramentas de parental control e 43% geolocalizam os dispositivos para monitorar a localização dos filhos.
No front escolar, o relatório registra que 72,4% dos pais declaram confiança nos professores. Apenas 26,1% consideram que os docentes atribuem excessiva responsabilidade aos pais pelos problemas escolares, e 21,2% entendem que as expectativas dos professores sobre os alunos são exageradas. Apesar de 66,7% defenderem a proibição do uso do smartphone nas escolas, 32,5% dos entrevistados informam ter ao menos um filho que utiliza inteligência artificial — como ChatGPT, Grok ou Gemini — para realizar tarefas e deveres escolares.
Sobre a percepção do futuro dos filhos, 67,3% dos pais mostram-se otimistas, enquanto 16,7% declaram-se pessimistas e 7,1% assumem uma posição fatalista. Na autoavaliação do desempenho parental, 73,9% atribuíram-se nota de bom ou ótimo, 21,8% consideraram-se suficientes, apenas 1% se disse insuficiente e 3,3% não respondeu.
Quanto ao estilo educativo, 60% dos pais se definem como não invasivos e discretos, 21,3% manifestam confiança nos filhos, 14,8% admitem ser mais apreensivos e 3,4% se consideram fatalistas. O relatório compara esses dados com uma pesquisa similar de 2002 — quando as proporções eram, respectivamente, 29,3%, 32,5%, 34,1% e 3,6% — apontando uma mudança clara nas posturas parentais ao longo das últimas duas décadas.
Em termos de valores educativos, 78,4% dos pais afirmam que confiança é mais importante que obediência na relação com os filhos, e 95,5% consideram o diálogo decisivo. O relatório inclui ainda uma referência numérica sobre a temática da autonomia (registro de 92,3%), trecho cuja transcrição original encontra-se incompleta neste boletim.
Como correspondente de apuração e cruzamento de fontes, destaco que os dados sublinham um paradoxo: a coexistência de confiança no futuro dos filhos com práticas de monitoramento tecnológico intenso. São fatos brutos que orientam o debate público sobre infância, tecnologia e escola, sem espaço para reducionismos — um raio-x do cotidiano familiar que exige políticas públicas e escolhas pedagógicas claras.