E-mail revela: município de Crans-Montana tinha alerta sobre risco de incêndio no Constellation
E-mail aponta que Crans-Montana sabia do risco do revestimento inflamável do Constellation antes do incêndio que matou 41 pessoas.
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E-mail revela: município de Crans-Montana tinha alerta sobre risco de incêndio no Constellation
Relatório e documentos agora públicos mostram que o município de Crans-Montana tinha conhecimento prévio sobre o risco de combustão do revestimento interno do club Constellation. Um e-mail enviado por Rose-Marie Clavien, ex-conselheira municipal com delegação para a área de obras entre 2017 e 2024, alertava para a possibilidade de incêndio causado pela espuma fonoabsorvente que cobria o teto do estabelecimento.
A informação consta de mensagens às quais a imprensa suíça teve acesso e que foram inicialmente publicadas pelo jornal Tages-Anzeiger e repercutidas hoje pelo Messaggero. No interrogatório realizado na sexta-feira, 28 de agosto, Rose-Marie Clavien exerceu a faculdade de não responder especificamente sobre esse ponto. A ex-conselheira figura como a 17ª investigada no inquérito que apura as responsabilidades pelo incêndio de Ano Novo, tragédia que deixou 41 mortos e 115 feridos.
O material que revestia o teto do discobar era reconhecido internamente como inflamável. Segundo registros citados pela imprensa, a proprietária do estabelecimento, Jessica Moretti, já havia alertado funcionários em mensagem de dezembro de 2019 para evitar o uso de velas pirotécnicas que pudessem incendiar o revestimento. O alerta da proprietária antecedeu em seis anos o episódio fatal ocorrido no dia 1º de janeiro de 2026.
O cruzamento de fontes — mensagens internas, depoimentos e documentos municipais — indica que havia elementos concretos sobre a periculosidade da espuma fonoabsorvente antes da ocorrência. A peça central do inquérito agora consiste em determinar se houve omissão consciente por parte do poder público municipal e dos responsáveis pelo local, e se as medidas preventivas necessárias foram negligenciadas.
Fontes judiciais confirmam que a investigação segue em andamento, com diligências voltadas para o levantamento de comunicações internas, auditorias de fiscalização e a verificação de licenças e certificações técnicas do material de revestimento do clube. A apuração in loco e o cruzamento de documentos visam estabelecer cronologia precisa dos alertas prévios e das ações tomadas entre 2019 e 2026.
Este é um desdobramento significativo no processo que busca responsabilizar indivíduos e instituições pela maior tragédia em termos de vítimas deste tipo na região. A realidade traduzida pelos fatos brutos — e-mails, mensagens e registros oficiais — passa a incorporar-se ao conjunto probatório que poderá sustentar futuras imputações ou absolvições.
Continuaremos acompanhando o caso com apuração rigorosa, verificando novos documentos e ouvindo as partes envolvidas para atualizar o estado processual e eventuais medidas administrativas ou judiciais que sejam adotadas.

