Pesquisa Athora: apenas 8% dos não aposentados organizou cuidadosamente a vida pós-trabalho
Estudo Athora/Nomisma mostra que só 8% dos não aposentados organizaram a vida pós-trabalho; 74% temem perda de autonomia na velhice.
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Pesquisa Athora: apenas 8% dos não aposentados organizou cuidadosamente a vida pós-trabalho
Por Giulliano Martini — Athora Italia, em parceria com Nomisma, divulgou a segunda edição do Osservatorio Look to the Future, levantamento que mapeia o sentimento dos italianos sobre poupança, investimentos, previdência e proteção, com foco específico em longevidade e previdência complementar. O estudo foi apresentado por Jozef Bala, CEO da Athora Italia; Silvia Zucconi, diretora de New Market Intelligence da Nomisma; e pelo sociólogo Sergio Sorgi, fundador da Progetica.
Os dados revelam uma paisagem social marcada por contradições. Entre os já aposentados, 63% olham o futuro com otimismo. Entre os que ainda trabalham, a longevidade frequentemente desperta ansiedade: 29% associam o viver mais tempo a preocupação. Em termos concretos, três em cada quatro italianos (74%) declaram-se apreensivos diante da possibilidade de perda de autonomia futura, temendo sobretudo o peso do cuidado sobre familiares, mudanças radicais no estilo de vida e o impacto financeiro.
Apesar desse receio generalizado, predomina um comportamento de curtíssimo prazo. Apenas 8% dos não aposentados afirmam ter organizado com cuidado a vida pós-atividade laboral. A pesquisa aponta que os italianos reconhecem a centralidade da poupança, mas frequentemente adotam estratégias intuitivas em vez de planejadas: 47% reduzem despesas supérfluas como forma de acumular recursos, sem, no entanto, uma finalidade previdenciária clara — um padrão que os pesquisadores descrevem como uma forma de poupança primitiva e não estruturada.
Entre aqueles que não conseguem acumular reservas para a velhice, 53% indicam dificuldade em reservar fundos suficientes. Essa falta de visão se combina com uma subestimação do tempo de aposentadoria: mais de um terço dos trabalhadores espera se aposentar entre 65 e 67 anos, e só 33% dos empregados imagina passar mais de 20 anos na aposentadoria. Os aposentados já constataram na prática que a realidade é outra: 57% reconhecem que a longevidade resulta, de fato, em décadas de vida pós-carreira.
O levantamento também expõe uma mistura de desconfiança e desconhecimento sobre o sistema público: 70% dos não aposentados temem que o benefício estatal não assegure o padrão de vida desejado, e apenas 42% acreditam que as contribuições atuais garantirão as pensões futuras. Ressalta-se, portanto, uma lacuna entre preocupação e ação concreta: só 27% dos italianos já aderiram a um plano de previdência complementar, enquanto 36% dizem que pretendem fazê-lo, evidenciando uma tendência à procrastinação.
Em cruzamento de fontes e análise crítica, o Osservatorio chama atenção para o hiato entre percepção e preparação. A apuração demonstra que políticas públicas, campanhas de educação financeira e oferta de produtos previdenciários claros são fatores cruciais para converter preocupação em planejamento efetivo. Sem isso, a sociedade italiana corre o risco de manter um padrão onde a longevidade é vivida como um problema a ser temido, em vez de uma realidade a ser administrada com instrumentos financeiros e solidários adequados.
O painel de apresentação — composto por executivos da Athora e especialistas da Nomisma e Progetica — concluiu que é preciso acelerar ações de informação e incentivo à adesão a instrumentos de previdência complementar, sob pena de ampliar tensões intergeracionais e fragilizar redes de proteção informal.
Dados e metodologia estão disponíveis no relatório completo do Osservatorio Look to the Future (2ª edição), assinado por Athora Italia e Nomisma.