Crise no Golfo pressiona custos e ameaça exportação da Mozzarella di Bufala Campana DOP
Crise no Irã eleva custos de produção e ameaça exportação da Mozzarella di Bufala Campana DOP; risco de alta de preços e medidas urgentes são exigidas.
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Crise no Golfo pressiona custos e ameaça exportação da Mozzarella di Bufala Campana DOP
Por Giulliano Martini — O impacto da crise no Irã já chegou ao coração da produção agroalimentar italiana: a Mozzarella di Bufala Campana DOP enfrenta um aumento generalizado dos custos de produção que pode resultar em reajustes nos preços ao consumidor e em risco para a exportação. O alerta foi formalizado pelo Conselho de Administração do Consorzio di Tutela, que se reuniu ontem para avaliar efeitos imediatos e cenários de curto prazo.
Segundo o levantamento apresentado ao Conselho, as principais pressões sobre a cadeia produtiva são: logística, materiais de embalagem e energia. O componente energético, em especial o gás, registra um salto expressivo — quase 70% de aumento em pontos críticos — e aparece como fator de compressão de margens. A soma dos aumentos, avaliam os gestores, torna a filiera mais pobre e vulnerável, com risco concreto de colapso se não houver intervenções.
Outro nó prático referido pelo Consorzio é o impacto nos voos de carga: o alerta sobre o abastecimento de querosene em alguns aeroportos dificulta o sistema de export, sobretudo para rotas transatlânticas. Esse entrave atinge um setor que já encara barreiras tarifárias, como os direitos de importação sobre produtos italianos aplicados por administrações anteriores nos EUA, mencionados no relatório.
Os números oficiais mostram um setor que, embora tenha fechado 2025 em terreno positivo — com crescimento de 3,35% e 57.584 toneladas produzidas de Mozzarella di Bufala Campana DOP — pode perder fôlego. "Todos os esforços de crescimento feitos até aqui são seriamente postos em risco por este novo frente de hostilidades", declarou o presidente do Consorzio, Domenico Raimondo, sublinhando que a preocupação é dupla: humanitária e econômica.
Em suas palavras: "Servem interventos mirados e urgentes per poter continuare a produrre. Occorre difendere il Made in Italy di successo nel mondo. I rischi sui rifornimenti degli aerei in alcuni scali mettono in difficoltà anche il nostro sistema dell'export, soprattutto verso i Paesi oltreoceano". A citação evidencia o receio sobre mercados que representam parcela relevante das vendas externas — a exportação responde por cerca de 35% da produção da filiera.
O diretor do Consorzio, Pier Maria Saccani, acrescentou foco prático: é necessário um novo diálogo com a distribuição para evitar políticas de redução de preço que corroam a competitividade. "L'aumento dei costi di produzione incide lungo tutta la filiera — e non ci dovremo sorprendere se nelle prossime settimane assisteremo a un rialzo dei listini", afirmou Saccani, reforçando que o objetivo dos reajustes seria manter a qualidade e a distintividade da DOP.
Em termos de políticas públicas e empresariais, o Consorzio pede ações imediatas de mitigação: linhas de apoio para custos energéticos, facilitação logística e medidas diplomáticas para garantir corredores de transporte seguro. A avaliação técnica feita internamente alerta para a necessidade de proteção das cadeias de valor do setor lácteiro, ante a possibilidade de instabilidade prolongada nos mercados internacionais.
Apuração e cruzamento de fontes confirmam que, sem resposta coordenada entre indústria, distribuição e poder público, o efeito combinado de aumento dos custos e restrições ao transporte pode traduzir-se em reajustes de preços ao consumidor e perda de competitividade no exterior. O cenário desenhado pelo Consorzio é um raio-x limpo: riscos reais, medidas urgentes e consequências diretas para produtores, indústria e comércio.