Biagi e a 'flexibilidade boa': Pizzuti afirma que não havia intenção de cancelar o art.18
Pizzuti defende que Marco Biagi queria uma 'flexibilidade boa' e não a eliminação do art.18, valorizando negociação coletiva e proteção aos mais frágeis.
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Biagi e a 'flexibilidade boa': Pizzuti afirma que não havia intenção de cancelar o art.18
Turim — Em entrevista na mesa‑redonda "A herança de Marco Biagi e o futuro do direito do trabalho", realizada no evento "Dentro il futuro" e transmitida pela web TV dos consulenti del lavoro, o professor Paolo Pizzuti, ordinário de direito do trabalho da Universidade do Molise, defendeu uma leitura precisa e menos simplista das propostas do jurista italiano assassinado em 2002.
Ao abrir o encontro, foi veiculado um depoimento histórico de Biagi no congresso dos consulenti del lavoro em novembro de 2001 — menos de seis meses antes de sua morte, em 19 de março de 2002. A partir desse material, Pizzuti procedeu ao raio‑x das posições do professor, com o rigor do "cruzamento de fontes" e da apuração técnica exigida pelo debate jurídico.
Segundo Pizzuti, a obra de Biagi abrangeu inúmeras matérias do direito do trabalho e contém formulações que, frequentemente, foram deturpadas no debate público. Em especial, explicou, a visão sobre flexibilidade era clara: não se tratava de multiplicar formas de vínculo subordinado ou de flexibilizar proteções básicas indisponíveis. Pelo contrário, a proposta previa a constituição de um núcleo de garantias inalienáveis aplicável a todos os trabalhadores e, paralelamente, a possibilidade de relações contratuais nas quais a esse núcleo se somassem proteções facultativas, reguladas por meio da certificação do contrato, instrumento já citado pelo presidente De Luca durante o evento.
"Era uma flexibilidade boa", resumiu Pizzuti, tomando como exemplo o contrato a termo, no qual Biagi pretendia ampliar as causali — na época havia cerca de 230 hipóteses. Em relação ao artigo 18, Pizzuti foi taxativo: Biagi não desejava a sua abolição, mas a sua modulação. E lembrou que a própria Corte Constitucional reconheceu a compatibilidade constitucional de alternativas como o risarcimento del danno em substituição à reintegração.
Outro ponto enfatizado pelo professor do Molise foi a defesa da contrattazione collettiva — inclusive nos níveis descentralizados. Biagi era crítico ao que chamava de "centralismo regulativo", isto é, a tendência do legislador a normatizar exaustivamente tudo. Pela sua visão, a delega à negociação coletiva é virtuosa; por isso, avaliou Pizzuti, Biagi provavelmente teria reservas quanto a leis como a do salário mínimo que retiram da negociação coletiva um campo tradicional de competência sobre salários.
Por fim, Pizzuti refutou a ideia de que Biagi fosse a favor da precarização. Ao contrário, sublinhou a preocupação com a tutela dos mais frágeis e citou intervenções práticas do jurista, como o "Pacto de Milão" e o "Pacto de Módena", em que foram introduzidas causais específicas para o contrato a termo destinado a trabalhadores extracomunitários.
O relato de Pizzuti foi apresentado de forma factiva, com ênfase no exame técnico dos documentos e na correção terminológica. A mensagem central da mesa‑redonda reafirmou uma leitura equilibrada da obra de Biagi: flexibilidade compatível com proteção, valorização da negociação coletiva e medidas concretas de salvaguarda aos mais vulneráveis — elementos que, segundo o relator, permanecem relevantes para o debate atual sobre reformas trabalhistas.


