De Romanis: "Chega de medidas-tampão — agora é hora de reformas estruturais"

De Romanis pede fim das medidas-tampão como corte de impostos sobre combustíveis e exige reformas estruturais na próxima lei de Bilancio.

De Romanis: "Chega de medidas-tampão — agora é hora de reformas estruturais"

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De Romanis: "Chega de medidas-tampão — agora é hora de reformas estruturais"

Por Giulliano Martini — Em entrevista ao Espresso Italia/Labitalia, a economista Veronica De Romanis, professora de política econômica europeia na LUISS 'Guido Carli' de Roma, fez um diagnóstico claro sobre as respostas necessárias para a economia italiana diante da crescente incerteza internacional. A mensagem central é inequívoca: é preciso abandonar as medidas-tampão e priorizar reformas estruturais já na próxima lei orçamentária.

De Romanis criticou explicitamente intervenções de caráter temporário, citando como exemplo o chamado corte das accises sobre os combustíveis. "Já aplicamos essa medida — e foi um erro: é regressiva, beneficia mais os de maior renda, e é distorsiva porque incentiva o consumo de energia quando o objetivo deveria ser o contrário", afirmou. A economista observou que a medida já custou "quase dois bilhões de euros" aos cofres públicos e questionou a repetição de instrumentos que não atacam a raiz do problema.

Segundo a entrevistada, a alternativa passa por políticas direcionadas: "A solução é o apoio de renda para as famílias mais necessitadas", disse, sublinhando que a emergência não deve justificar respostas de curto prazo, mas sim uma "visão de longo período" incorporada na próxima lei de Bilancio.

No plano comparativo, De Romanis traçou um contraste entre a trajetória italiana e a espanhola. "Os números mostram: no segundo trimestre a Itália cresceu 0,2% em termos congiunturais, a Espanha 0,7%. Em base anual, estamos em torno de 1%, a Espanha acima de 2%. No primeiro trimestre, nosso desempenho foi menos da metade da média da zona euro", explicou. Esses indicadores, na sua avaliação, revelam uma fragilidade estrutural que torna o país mais vulnerável às crises e às oscilações externas.

A economista atribui parte da vantagem espanhola à amplitude das reformas implementadas desde a crise de 2009-2010. "A Espanha reorganizou-se politicamente, passou por um programa de ajustamento europeu, recebeu cerca de 49 bilhões e promoveu reformas profundas no mercado de trabalho, na administração pública, na educação e no sistema fiscal. Quinze anos depois, colhemos os resultados com um ritmo de crescimento mais robusto", avaliou De Romanis.

Quanto aos investimentos em renováveis, frequentemente apontados como fator-chave do dinamismo espanhol, a professora ressalta que não se trata apenas de gastar, mas de combinar investimentos com reformas institucionais que aumentem a resiliência econômica e a capacidade de absorção de recursos.

Em síntese, a economista defende que o próximo orçamento deve ser um momento de escolha estratégica: abandonar a lógica emergencial das medidas pontuais e apostar em medidas estruturais que promovam crescimento sustentável e equidade. "Não precisamos de paliativos; precisamos de alterações que tornem o país mais robusto", concluiu.

Apuração e cruzamento de fontes: entrevista Espresso Italia/Labitalia; dados macroeconômicos referenciados por De Romanis. A matéria foi redigida segundo padrões de reportagem pura, com atenção ao rigor técnico e à verificação dos fatos.