Pesquisa Hays: 7 em 10 empresas ainda atrasadas na implementação da Diretiva UE de transparência salarial
Pesquisa Hays: 7 em 10 empresas com mais de 100 empregados estão atrasadas na implementação da diretiva UE de transparência salarial.
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Pesquisa Hays: 7 em 10 empresas ainda atrasadas na implementação da Diretiva UE de transparência salarial
Por Giulliano Martini — A pouco mais de dois meses da entrada em vigor da Diretiva Europeia sobre transparência salarial, uma investigação de campo delineia um quadro de leitura mista: reconhecimento do mérito da reforma, mas atraso generalizado na implementação. A conclusão consta de pesquisa realizada pela consultoria de recrutamento Hays Italia, em parceria com o Studio Legale Daverio & Florio, apresentada hoje em encontro dedicado ao tema.
O levantamento aponta que, apesar de uma avaliação positiva global da reforma por 77% dos entrevistados — entre trabalhadores e empresas —, a distribuição desse conhecimento é desigual. Apenas 23% dos empregados afirmam conhecer a norma “muito” ou “bastante”, enquanto 77% declararam conhecê-la pouco ou nada. Em paralelo, mais de sete empresas em cada dez, entre as que são abrangidas pela medida (aquelas com mais de 100 funcionários), ainda estão em atraso no processo de conformidade.
Fatos e percepções convivem: no campo dos efeitos esperados, 67% dos trabalhadores apontam a possibilidade de maior equidade retributiva como benefício central, e 43% das empresas encaram a reforma como catalisadora de uma melhoria na cultura organizacional. Entretanto, as equipes de recursos humanos sinalizam riscos práticos: 75% receiam que a transparência gere conflitos internos relacionados a salários e 65% anteveem um aumento nas reivindicações salariais por parte dos empregados.
A pesquisa revela também um déficit informativo relevante. Mais de 7 em cada 10 trabalhadores desconhecem se as obrigações previstas serão aplicáveis à sua própria empresa; apenas 30% dizem-se plenamente informados sobre os direitos em caso de discriminação salarial. Quando buscam informação, profissionais recorrem majoritariamente aos meios de comunicação, redes sociais e à comunicação institucional, em vez da comunicação interna das empresas.
Na prática organizacional, 83% dos profissionais descrevem a abordagem de sua empresa à transparência salarial como ausente ou pouco estruturada, o que confirma que o tema permaneceu, até agora, marginal nas prioridades corporativas. Quanto ao estado de preparação, a amostra indica que 72% das empresas reconhecem estar significativamente aquém do necessário: 26% não iniciaram qualquer atividade específica, enquanto 46% encontram-se em fase preliminar de análise. Apenas 21% das empresas são consideradas mais avançadas no processo de adequação.
Entre as medidas já adotadas pelas empresas mais adiantadas, destaca-se a mapeamento de cargos e remunerações (68%), apontado como primeiro passo operacional imprescindível para a implementação da normativa. Esse mapeamento corresponde ao inventário inicial que permitirá cálculos e auditorias posteriores, fundamentais para detectar e corrigir discrepâncias salariais.
A conclusão prática do levantamento é inequívoca: falta tempo e informação. Com a contagem regressiva para a entrada em vigor da Diretiva Europeia, o diagnóstico exige duas ações imediatas e complementares por parte das organizações que ainda não avançaram: (1) iniciar auditorias salariais e mapeamento de funções; e (2) estabelecer um plano de comunicação interna claro sobre direitos e critérios de remuneração — medidas que reduzem riscos legais e conflitos internos.
Apuração e cruzamento de fontes confirmam que o atraso afeta sobretudo médias e grandes empresas que, até este momento, trataram a questão como secundária. A realidade traduzida pelos dados impõe um cronograma pragmático: empresas com mais de 100 colaboradores devem acelerar processos de compliance sob pena de enfrentar disputas trabalhistas e aumento de litígios por discriminação salarial.
O diagnóstico entregue por Hays Italia e o Studio Legale Daverio & Florio funciona como um raio-x do cotidiano empresarial ante a mudança normativa: há consenso sobre o valor simbólico e prático da medida, mas a execução, até aqui, segue lenta e desorganizada. Cabe às organizações transformar essa consciência em ações técnicas e imediatas.