Made in Italy: qualidade e competitividade das empresas mantêm marca entre as mais valorizadas
Made in Italy: qualidade e competitividade empresarial mantêm o selo entre os mais valorizados, mas Italian sounding e falsos ameaçam a reputação.
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Made in Italy: qualidade e competitividade das empresas mantêm marca entre as mais valorizadas
Made in Italy segue sendo um dos selos mais reconhecidos e apreciados no mundo. Mas a força da marca hoje se joga numa arena mais complexa do que há décadas: não é apenas a qualidade dos produtos que determina o valor, e sim a capacidade das empresas de evoluir, estruturar-se e competir em ecossistemas globais.
É o que revela o estudo "Made in Italy: il valore di un’identità e la forza delle competenze", realizado por Tp Infinity para a Made in Italy Community. Pelo levantamento, o Made in Italy é majoritariamente associado à qualidade artesanal (44%) e à excelência produtiva no mercado doméstico, enquanto no exterior predomina uma imagem aspiracional ligada ao luxo (24%) e ao estilo de vida.
Os dados foram comentados por Roberto Santori, CEO da Made in Italy Community: “Para tornar competitivo hoje o Made in Italy é preciso integrar cada vez mais competências, tecnologia e relações económicas. O verdadeiro diferencial do nosso país está na competência das pessoas, no talento manufatureiro e no saber artesanal que se transforma em indústria. Hoje não competem mais apenas as empresas isoladas, mas os ecossistemas e os sistemas-país. É necessário fazer sistema: conectar empresas, instituições e pesquisa, fortalecer o diálogo entre atores e construir uma visão de médio-longo prazo. O valor do Made in Italy nasce das conexões entre talentos; o desafio é transformar essa energia dispersa em um sistema capaz não só de competir, mas de fazer escola no mundo”.
Visão similar vem do setor produtivo. Michela Pancaldi, CEO da Tecnocupole Pancaldi — empresa familiar de Bolonha com 60 anos e liderança nacional na instalação e manutenção de sistemas de iluminação, ventilação e evacuação de fumaça e calor — afirma que o Made in Italy permanece um ativo competitivo extraordinário, mas que requer visão coletiva. “Fazer rede entre empresas, territórios e competências significa reforçar cadeias de proximidade capazes de garantir qualidade, segurança e continuidade operacional, mesmo diante da atual instabilidade geopolítica. A produção local não é apenas uma escolha identitária, é uma alavanca estratégica: por isso abrimos nosso estabelecimento Industria 5.0 também para produção de terceiros”, explicou.
O diagnóstico do estudo adverte, porém, para um risco concreto: perda de reconhecimento internacional do selo. No mercado doméstico, 86% dos consumidores escolhem produtos nacionais; mas lá fora, 45% declaram já ter comprado pelo menos uma vez um falso Made in Italy e 28% chegaram a preferi-lo ao original. O fenômeno do Italian sounding mantém-se difundido e, em alguns casos, leva à distorção dos valores que o selo representa.
O quadro levantado exige respostas coordenadas: políticas públicas que protejam a autenticidade da produção, ações legais contra a pirataria e iniciativas que fortaleçam a transferência de tecnologia e a capacitação profissional. A batalha pela reputação do Made in Italy passa, segundo especialistas, por transformar competência artesanal em vantagem competitiva sustentável, por consolidar redes produtivas locais e por promover um modelo de exportação baseado em ecossistemas, não apenas em marcas isoladas.
Apuração in loco e cruzamento de fontes mostram que o futuro do selo itali ano dependerá menos da narrativa do passado e mais da capacidade concreta das empresas e das políticas públicas em trabalhar integradas: da formação técnica às parcerias internacionais, da inovação industrial ao reforço de cadeias de valor próximas. Esses são os fatos brutos que orientam a estratégia para preservar e expandir o valor do Made in Italy no mercado global.