Roma lidera acidentes 'in itinere' na Itália: aumento de ocorrências e mortes em deslocamentos ao trabalho
Roma lidera acidentes 'in itinere' na Itália: aumento de casos e mortes em deslocamentos entre 2022-2024, exige inclusão do risco rodoviário no DVR.
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Roma lidera acidentes 'in itinere' na Itália: aumento de ocorrências e mortes em deslocamentos ao trabalho
Roma, 23 abr. 2026 — O quadro da segurança no trabalho na Itália mostra uma transformação preocupante: enquanto os acidentes ocorridos dentro das empresas recuam, o risco migra para as vias. É o que revela o foco da Fundação Estudos dos Consulenti del Lavoro — com base em dados da INAIL — sobre incidentes in itinere, divulgado às vésperas da Jornada Mundial da Saúde e Segurança no Trabalho (28 de abril).
Segundo o relatório, Roma registrou 9.444 casos de acidentes em deslocamento em 2024, consolidando-se como a província com maior número de ocorrências desse tipo. O recorte mais sensível revela 86 óbitos no triênio 2022-2024, equivalentes a 35,5% das mortes no trabalho no território da Capital.
Na sequência de Roma estão províncias com forte tráfego e grande população ocupada: Milão, Florença, Gênova e Turim. O relatório traz tabelas detalhadas por província e região e antecipa estudo mais amplo que será apresentado no Forum Salute e Sicurezza, organizado em parceria com a INAIL durante o Festival do Trabalho em Roma (21-23 maio).
A nível regional, o Lazio apresenta a maior incidência relativa dos acidentes em trajetos casa-trabalho (26%). Quando considerados apenas os casos fatais, o Vêneto lidera, seguido por Lazio e Friuli-Venezia Giulia. O fenômeno tem tendência de alta: entre 2022 e 2024 os acidentes in itinere aumentaram 8,8% e o peso dos casos mortais também cresceu. Dados provisórios de 2025 apontam incremento adicional de 3,2%.
Os especialistas destacam que não se trata apenas de segurança rodoviária. Fatores estruturais estão na raiz do problema: frequência e duração dos deslocamentos, escolha do meio de transporte, stress e fadiga do pendular e o envelhecimento da força de trabalho. A elevação da idade média dos ocupados agrava a vulnerabilidade: trabalhadores com mais de 55 anos representam 21,1% dos acidentados, mas cerca de 34% das vítimas fatais.
Outro aspecto apontado pelo estudo é a limitada difusão do trabalho remoto na Itália: quase 80% dos ocupados trabalham sempre presencialmente e apenas 21% têm acesso ao smart working, contra 34% da média europeia. Essa realidade mantém um grande volume de deslocamentos diários e amplia a exposição ao risco rodoviário.
O relatório também chama atenção para a eficácia das intervenções normativas recentes na redução de acidentes dentro das empresas, mas ressalta a necessidade de ampliar o enfoque preventivo aos trajetos. Entre as recomendações dos Consulenti del Lavoro está a inclusão explícita do risco rodoviário no DVR (Documento de Valutazione dei Rischi) das empresas, de modo a integrar medidas de tutela para quem se desloca entre casa e trabalho.
Da perspectiva de apuração rigorosa, o documento combina cruzamento de fontes estatísticas e análise territorial para delimitar onde a prevenção deve ser reforçada. A antecipação dos dados busca orientar políticas públicas e ações empresariais antes do encontro previsto no Forum Salute e Sicurezza, quando as propostas deverão ser discutidas em detalhe com INAIL e atores sociais.
Em síntese: os números mostram que a redução dos acidentes nas fábricas e escritórios é uma conquista, mas a sequência lógica exige que a proteção alcance a estrada. Sem essa expansão da prevenção, o custo humano continuará a migrar para os trajetos diários e a transformar cidades como Roma em epicentros de uma nova emergência de segurança no trabalho.