Capone (UGL) defende reforço da negociação coletiva para combater o dumping salarial

Paolo Capone (UGL) defende reforço dos CCNL e da negociação coletiva para combater o dumping salarial e o trabalho pobre na Itália.

Capone (UGL) defende reforço da negociação coletiva para combater o dumping salarial

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Capone (UGL) defende reforço da negociação coletiva para combater o dumping salarial

Roma, 15 de abril de 2026 — Em declaração sobre o debate público a respeito de medidas contra o trabalho pobre e o dumping salarial, Paolo Capone, secretário-geral da UGL, cobrou intervenções concretas e instrumentos eficazes centrados na negociação coletiva.

Segundo Capone, "a prioridade hoje é colocar em campo medidas concretas e eficazes para enfrentar o fenômeno do dumping salarial, sem atalhos ideológicos, mas através do reforço dos instrumentos contratuais e do diálogo social". Para o líder sindical, a negociação coletiva já representa o principal mecanismo de proteção dos salários e dos direitos dos trabalhadores.

Na avaliação do secretário-geral da UGL, é fundamental fortalecer o papel dos CCNL (contratos coletivos nacionais de trabalho) e relançar com determinação a negociação de segundo nível nas empresas. Capone defendeu, ainda, a adoção de instrumentos inovadores voltados a uma maior participação dos trabalhadores na gestão empresarial, com a finalidade de valorizar o trabalho e promover uma distribuição mais justa dos ganhos.

"Somente um sistema fundado na negociação coletiva pode garantir uma real elevação dos salários e combater, de forma eficaz, as distorções do mercado de trabalho, começando justamente pelo dumping salarial", afirmou Capone. A mensagem foi emitida no contexto das discussões sobre políticas destinadas a reduzir o aumento do número de trabalhadores que permanecem em situação de pobreza, apesar de ativos no mercado.

O pronunciamento reforça a linha tradicional da UGL que privilegia soluções sindicais e contratuais sobre abordagens exclusivamente legislativas ou assistenciais. Capone sublinhou a necessidade do diálogo entre empregadores, sindicatos e instituições públicas para estruturar mecanismos de aplicação dos acordos coletivos e evitar práticas que resultem na compressão dos níveis salariais.

Fontes sindicais ouvidas corroboram a percepção de que, sem instrumentos de aplicação mais robustos e fiscalização efetiva, os avanços formais conquistados nos CCNL podem ser anulados por práticas de contratação precária e por formas de concorrência baseada em redução de custos trabalhistas. A proposta de valorizar a participação dos trabalhadores em processos decisórios da empresa aparece, segundo Capone, como elemento estratégico para criar incentivos à qualificação e ao aumento de produtividade sem sacrificar rendimentos.

O posicionamento do secretário-geral chega em momento de intensificação do debate público sobre emprego de qualidade na Itália e sobre como combinar proteção salarial com competitividade. A UGL defende que o fortalecimento dos instrumentos coletivos e do diálogo social constitui caminho essencial e imediato para enfrentar as distorções do mercado e reduzir a incidência do trabalho pobre.

Por Giulliano Martini — correspondente da Espresso Italia. Apuração in loco, cruzamento de fontes sindicais e documentais para clareza dos fatos.