ZES no Mezzogiorno: estudo do Grins aponta aumento de investimentos, mas efeitos variam por território
Estudo Grins: ZES aumentaram investimentos no Mezzogiorno, mas efeitos em emprego e rentabilidade variam conforme o contexto local.
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ZES no Mezzogiorno: estudo do Grins aponta aumento de investimentos, mas efeitos variam por território
Roma, 21 abr. 2026 — Uma avaliação abrangente do Grupo de pesquisa Grins, vinculada ao Laboratório de Economia Aplicada (LEA) da Universidade de Bari Aldo Moro, conclui que as primeiras ZES (zonas econômicas especiais) italianas impulsionaram sobretudo os investimentos das empresas, embora com resultados fortemente heterogêneos entre territórios do Mezzogiorno.
O estudo, que cobre o período 2016-2022, analisa as oito áreas onde as ZES foram introduzidas em 2017 — Abruzzo, Campania, Calabria, Sardegna, Sicília Oriental, Sicília Ocidental, ZES Jônica e ZES Adriática — antes da consolidação numa ZES única para o Mezzogiorno, em 1º de janeiro de 2024.
As ZES são um instrumento de política industrial destinado a atrair investimentos e atividades produtivas por meio de incentivos fiscais, simplificações administrativas e, em alguns casos, vantagens aduaneiras. Entre os benefícios previstos, o estudo destaca o crédito de imposto para investimento em bens instrumentais, a redução de 50% do imposto sobre o rendimento das sociedades, procedimentos burocráticos simplificados e benefícios aduaneiros pontuais. O crédito de imposto emerge como o núcleo da medida, visando sustentar a capacidade de investimento das empresas.
A metodologia aplicada combina dados de balanço de empresas manufatureiras do Mezzogiorno e técnicas contrafactuais que permitem comparar empresas localizadas em áreas ZES com pares não beneficiários. O resultado mais robusto refere-se aos investimentos: em média, empresas nas ZES aumentaram suas imobilizações em cerca de €244 mil a mais do que empresas fora das zonas. O efeito tende a crescer com o tempo: já no ano de introdução da política observa-se incremento e, após dois anos, o diferencial ultrapassa €360 mil.
Os impactos sobre o emprego são mais limitados e tardios. No agregado, não há um efeito imediato estatisticamente significativo; entretanto, após dois anos nota-se um aumento modesto do número de empregados, em torno de 3%, concentrado apenas em algumas áreas analisadas. A rentabilidade também apresenta melhora, porém mais contida e gradual: o rendimento líquido médio cresce cerca de €42 mil, com impactos mais claros apenas em determinados territórios e no médio prazo.
Um dos pontos centrais do relatório é a heterogeneidade territorial. As ZES não produziram efeitos uniformes: sinais positivos emergem em cinco das oito áreas analisadas, enquanto outras mantêm resultados neutros ou pouco expressivos. Essa dispersão reforça que o contexto local — infraestrutura, capacidade institucional, cadeia de fornecedores e competências locais — altera substancialmente a efetividade das medidas.
Do ponto de vista técnico, a apuração combinou cruzamento de fontes e métodos contrafactuais, privilegiando os fatos brutos e a limpeza de narrativas. O estudo não atribui causalidades além das evidências empíricas observadas, mas aponta que, embora as ZES cumpram seu papel como instrumento de atração de investimento, a dimensão e a qualidade dos resultados dependem do ambiente local.
As conclusões servem como base para avaliar a evolução da política da ZES única para o Mezzogiorno e sublinham a necessidade de monitoramento contínuo e intervenções complementares para converter o incremento de ativos em ganhos sustentáveis de emprego e produtividade.