Estudo alerta: dietas geradas por IA podem reduzir em 700 kcal a ingestão de adolescentes
Estudo mostra que dietas geradas por IA subestimam em média 700 kcal para adolescentes, com riscos no crescimento e no equilíbrio de macronutrientes.
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Estudo alerta: dietas geradas por IA podem reduzir em 700 kcal a ingestão de adolescentes
Inteligência artificial e saúde: um estudo recente acende o alerta sobre o uso de chatbots gratuitos por adolescentes em busca de dieta personalizada. Pesquisadores da Turquia compararam planos alimentares produzidos por modelos de IA com dietas elaboradas por um profissional qualificado e encontraram diferenças que podem ter impacto clínico.
O trabalho, publicado na revista Frontiers in Nutrition, testou cinco modelos gratuitos de IA — ChatGPT 4 (versão gratuita), Gemini 2.5 Pro, Bing Chat-5GPT, Claude 4.1 e Perplexity — solicitando planos de três dias com três refeições e dois lanches diários. As solicitações incluíam dados antropométricos: idade (15 anos), altura e peso. Os planos foram desenvolvidos para quatro adolescentes de 15 anos: um menino e uma menina no percentil de sovrepeso e um menino e uma menina no percentil de obesidade.
Ao confrontar as recomendações da IA com as do dietista especializado em patologia adolescente, os autores observaram que os modelos tendem a subestimar o consumo energético total em média em quase 700 calorias — o equivalente a um almoço completo. "Demonstramos que os planos dietéticos gerados pela IA tendem a subestimar de forma significativa a energia total e a ingestão de nutrientes-chave em comparação com planos baseados em orientações e preparados por um nutricionista", resumiu Ayşe Betül Bilen, assistente da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade Atlas de Istambul.
Além da redução calórica, o estudo revela erros frequentes no balanceamento dos macronutrientes: enquanto algumas quantidades calóricas são subestimadas, certas classes de macronutrientes aparecem superestimadas, resultando em esquemas desequilibrados. Segundo os pesquisadores, seguir cardápios excessivamente restritivos ou desbalanceados durante a adolescência pode prejudicar o crescimento, a saúde metabólica e os comportamentos alimentares.
Os autores explicitam que a diferença média de quase 700 kcal em relação ao plano do especialista não é apenas estatisticamente relevante, mas clinicamente significativa. "Essa disparidade é suficiente para ter consequências clínicas", afirmam, citando riscos potenciais como déficit no ganho de massa magra, alterações no metabolismo e maior propensão a padrões alimentares desordenados.
O uso de chatbots para gerações de dieta cresce na esteira da maior acessibilidade dessas ferramentas. No entanto, os modelos avaliados utilizaram instruções padronizadas e não substituem a anamnese detalhada, a avaliação de composição corporal, as necessidades energéticas individualizadas ou o acompanhamento clínico que um profissional oferece.
Do ponto de vista de apuração e cruzamento de fontes, a evidência sugere cautela: adolescentes buscando perda de peso devem ser orientados por profissionais registrados. A praticidade das dietas geradas por IA não elimina a necessidade de verificação por especialistas, sobretudo em fases críticas como a adolescência, em que a demanda nutricional é variável e sensível.
Conclusão prática: a tecnologia é ferramenta, não substituto. Pais, educadores e serviços de saúde pública precisam estar atentos ao crescimento do uso de chatbots para problemas nutricionais entre jovens e promover triagem e encaminhamento adequados. A recomendação dos pesquisadores é clara: adotar uma postura conservadora e priorizar avaliação por um nutricionista ou médico antes de seguir planos alimentares encontrados online.


