Mãe de Giulio Regeni critica negativa de fundos ao documentário: “Há 10 anos acostumados a esta injustiça”
Paola Deffendi critica recusa de fundos ao documentário sobre Giulio Regeni e destaca a resistência da família e universidades após dez anos de luta.
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Mãe de Giulio Regeni critica negativa de fundos ao documentário: “Há 10 anos acostumados a esta injustiça”
Em apuração in loco na Universidade Statale de Milão, a mãe de Giulio Regeni, Paola Deffendi, reagiu com frustração ao anúncio da recusa de financiamento público ao documentário dedicado ao filho. A projeção de estreia do filme 'Tutto il male del mondo', dirigido por Simone Manetti, ocorreu no campus como parte da iniciativa nacional 'Le Università per Giulio Regeni', que leva exibições e debates sobre liberdade de pesquisa a 76 universidades italianas.
Ao comentar a decisão do Ministério da Cultura de não reconhecer o documentário como de 'interesse cultural nacional' — e portanto de negar fundos públicos — Deffendi afirmou que a família já havia ouvido falar dessa solicitação apenas de passagem. 'A estas injustiças nos acostumamos há dez anos', declarou. 'Quando soubemos, nos entristeceu por aqueles que investiram, por quem colocou coração, alma e cabeça no projeto. Nosso maior desapontamento foi exatamente esse.'
A advogada da família, Alessandra Ballerini, acompanhou os pais na manifestação pública. Paola acrescentou, com voz medida e direta, que a família pensa: 'Deve fazer tudo Giulio? Basta, deve fazer tudo ele!', lembrando que frequentemente, sempre que a memória de Giulio alcança determinados espaços, algo parece ser obstruído.
No discurso em que resgatou o título do livro que escreveu com o marido Claudio, Paola recordou: 'Giulio faz coisas, Giulio continua a fazer coisas'. A frase funcionou também como diagnóstico: a obra do pesquisador morto no Egito em 2016 segue mobilizando compromissos civis, acadêmicos e culturais apesar dos obstáculos institucionais.
O evento em Milão contou com a presença dos pais, Paola e Claudio Regeni, da advogada Alessandra Ballerini, da rettrice Marina Brambilla e da senadora a vida Elena Cattaneo. Claudio avaliou o percurso da causa: 'Nestes dez anos tivemos progressos notáveis. Muitas pessoas se identificaram com Giulio, cujo objetivo primeiro era aprofundar o conhecimento.'
A senadora Cattaneo qualificou como 'incompreensível' a decisão ministerial. 'Este é realmente o lugar certo para apresentar um documentário importantíssimo que conta a história e a vida de Giulio Regeni. É o lugar da paixão pelo conhecimento', disse, destacando o valor simbólico de a estreia ocorrer numa universidade que se dedica a direitos humanos, legalidade e paz.
Do ponto de vista jornalístico, o episódio reabre questões sobre critérios de financiamento cultural e sobre a relação entre memória, justiça e políticas públicas. O debate em torno da recusa dos fundos gerou reação imediata no circuito acadêmico e cultural: para atores locais e nacionais envolvidos na memória de Regeni, o corte evidencia uma tensão persistente entre iniciativas de resistência civil e decisões administrativas que, segundo apoiadores do filme, subvalorizam a pesquisa e a cultura.
Em síntese, a projeção de Milão marcou mais que uma estreia: consolidou um ato de resistência coletiva que busca manter acesa a investigação e a memória do pesquisador. A família, as instituições universitárias e personalidades públicas reforçaram o compromisso com a liberdade de investigação e com a exigência de esclarecimento, enquanto o debate sobre o financiamento ao documentário segue aberto nas instâncias culturais italianas.