Milão: Finanza desmonta "sistema bancário paralelo" com falsas faturas e lavagem de mais de €115 milhões
Finanza desmantela em Milão rede de falsas faturas e 'sistema bancário paralelo' com lavagem de mais de €115 milhões e transferências de €80 milhões.
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Milão: Finanza desmonta "sistema bancário paralelo" com falsas faturas e lavagem de mais de €115 milhões
Milão, 15 de maio de 2026 — A Guardia di Finanza de Milão concluiu uma operação complexa que desarticulou um amplo esquema de falsas faturas e lavagem de dinheiro com ramificações internacionais. A investigação, coordenada pela Procuradoria de Milão, resultou em busca e apreensão contra 28 pessoas físicas e 9 empresas, além do encaminhamento de um total de 87 pessoas às autoridades judiciais.
O trabalho foi conduzido pelo 1º Nucleo Operativo Metropolitano da Guardia di Finanza de Milão, com apoio de unidades de Brescia, Bergamo, Rimini, Padova, Teramo, Treviso e Latina. Cerca de 200 finanzieri participaram da ação, que culminou no sequestro de mais de 1,2 milhão de euros em numerário e saldos bancários, além de joias e relógios de luxo considerados produto dos ilícitos.
Segundo o relatório policial e o cruzamento de fontes judiciais, a organização atuava com divisão geográfica e funcional: em Milão estava concentrada uma rede, composta em sua maioria por cidadãos chineses, especializada na operacionalização do que os investigadores definem como "underground banking system" — um circuito financeiro paralelo que permite transferir recursos para o exterior fora dos canais oficiais, burlando normas anti-lavagem e controles bancários.
No entorno de Brescia, por sua vez, eram realizadas fraudes fiscais sistemáticas por meio da emissão de faturas por operações inexistentes. Empresas do setor de metais ferrosos eram alvo do esquema: faturavam serviços fictícios, efetuavam transferências bancárias para quitar essas faturas fictícias e, em seguida, os valores eram quase integralmente remetidos para contas no exterior vinculadas a cidadãos chineses.
O modus operandi incluía também a logística do retorno dos valores: por meio de correios e mensageiros, quantias em espécie equivalentes eram devolvidas aos empresários que haviam solicitado o serviço de simulação de despesas. A investigação quantificou um volume de faturação falsa superior a €115 milhões e transferências de capital para o exterior na ordem de aproximadamente €80 milhões.
Entre os indiciados constam ainda profissionais que teriam prestado suporte técnico ao esquema, incluindo um contabilista e um consultor financeiro. As medidas cautelares e os sequestros visam preservar patrimônio compatível com os proventos suspeitos e facilitar o congelamento de ativos antes de eventuais medidas de recuperação pelo fisco.
Apuração in loco, análise documental e cruzamento de fluxos financeiros foram determinantes para reconstruir o circuito de lavagem e fraude. A ação da Guardia di Finanza segue a linha de combate às economias paralelas que corroem a competitividade e reduzem a base tributária legítima, segundo fontes da Procuradoria.
O caso permanece em investigação. Novas diligências e solicitações de cooperação internacional podem ser solicitadas para rastrear recursos remanescentes e responsáveis pelos mecanismos transfronteiriços detectados.
Giulliano Martini — correspondente da Espresso Italia em Milão. Reportagem baseada em documentos oficiais da Guardia di Finanza e comunicações da Procuradoria de Milão.