Stalker de Morgana Blue é condenado a 15 meses por perseguição que durou duas décadas

Stalker de Morgana Blue é condenado a 15 meses por perseguição de duas décadas que obrigou vítimas a mudar rotina e fechar redes sociais.

Stalker de Morgana Blue é condenado a 15 meses por perseguição que durou duas décadas

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Stalker de Morgana Blue é condenado a 15 meses por perseguição que durou duas décadas

Em sentença proferida em Milão, um homem suíço de 50 anos foi condenado a 15 meses de prisão, sem suspensão da pena, por prática de stalking contra a musicista Morgana Blue — nome artístico de Lisa Cerri — fundadora da banda Bambole di Pezza. A acusação descreve uma perseguição disseminada ao longo de duas décadas, com episódios em shows, por telefone e nas redes sociais.

A juíza milanesa Valeria Recaneschi reconheceu a materialidade dos fatos imputados, acolhendo parcialmente a tese da acusação, que havia solicitado a pena de dois anos e oito meses. Além de Morgana Blue, as ações de perseguição também atingiram a musicista e escritora Micole Martinez e a mãe desta, Katia Zerbini.

Segundo o despacho de acusação consultado durante a apuração, as três vítimas receberam “inumeréveis mensagens (na ordem das centenas por ano) inicialmente por telefone e depois por Facebook e Instagram, todas com conteúdo delirante, minaçoso, injurioso, com referências sexuais e satanistas”. O réu, ainda segundo o processo, criou perfis falsos para contactar amigos, parentes e conhecidos das ofendidas a fim de recolher informações sobre seus hábitos e frequentações.

O comportamento do condenado incluiu deslocamentos a locais públicos e a locais onde as ofendidas organizavam concertos e eventos privados, ampliando o medo e a perturbação causada. O tribunal registra que as vítimas foram forçadas a adotar medidas de proteção: acompanhar-se mutuamente em retornos a casa, reduzir saídas noturnas, fechar contas em redes sociais e trocar números de telefone.

Entre os episódios descritos no decreto que deu início ao julgamento, consta a composição — atribuída ao agressor — de uma canção com o título 'Morgana puttana' e uma ocorrência de 2006, quando o homem teria comparecido a um concerto alcoolizado e exibido uma faca. Para Micole Martinez a perseguição teve contornos particularmente cruéis: o agressor teria comparecido a um evento em memória do irmão falecido, adotando atitudes molestas e provocatórias, além de inundar a ela e à mãe com mensagens e e-mails, também por meio de perfis falsos.

Em contato com a reportagem, o advogado Domenico Radice, que assiste Morgana Blue, qualificou o caso como “muito amargo”, ressaltando que as vítimas sofreram forte compressão do espaço de liberdade e um sofrimento contínuo, com impacto direto na saúde mental e na vida cotidiana.

O veredito expõe a gravidade do stalking prolongado e sua capacidade de transformar trajetórias pessoais e profissionais em cenas de vigilância e temor. A investigação e o julgamento, cruzados com documentos e testemunhos, mostram como a conduta reiterada e tecnologicamente ampliada pode resultar em danos psicológicos persistentes e restrição das liberdades fundamentais das vítimas.