Ustica: familiares e sociedade civil exigem que investigação não seja arquivada antes da audiência de 18 de março

Familiares de Ustica e sociedade pedem que investigação não seja arquivada antes da audiência de 18/03; 450 páginas levantam novas questões sobre Foch e NATO.

Ustica: familiares e sociedade civil exigem que investigação não seja arquivada antes da audiência de 18 de março

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Ustica: familiares e sociedade civil exigem que investigação não seja arquivada antes da audiência de 18 de março

Ustica volta ao centro da agenda judicial e política italiana com os parentes das vítimas e representantes da imprensa reunidos para impedir a archiviazione do inquérito sobre o desastre aéreo de 27 de junho de 1980. A presidente da Associação dos Parentes, Daria Bonfietti, declarou que irá pessoalmente ao julgamento marcado para 18 de março, onde o pedido de arquivamento feito pela Procura della Repubblica di Roma será apreciado pelo gip.

Em entrevista coletiva de apuração, com participação de dirigentes de ordens de jornalistas e parlamentares de centro-esquerda, Bonfietti afirmou que as 450 pagine depositadas na instrução não esgotam elementos relevantes. "Andremo là il 18 marzo chiedendo di non procedere con l'archiviazione dell'indagine", disse. Segundo ela, há informações de agências como a Nato que merecem aprofundamento e menções à presença, oficialmente negada pelas autoridades francesas, da portaerei Foch no Mediterrâneo.

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O núcleo factual permanece inalterado: o aparelho abatido foi o DC-9 Itavia, que caiu com 81 pessoas a bordo. A investigação comandada pelo juiz Rosario Priore já apontava, anos atrás, a hipótese de envolvimento em episódio de guerra aérea. As 450 páginas recentemente juntadas ao processo, segundo Bonfietti, corroboram as linhas essenciais do relatório de Priore e acrescentam elementos que, diz ela, exigem novas diligências.

No encontro no Museu da Memória de Ustica estiveram presentes parlamentares como Walter Verini e Andrea De Maria (PD), Marco Pellegrini (M5S), Marco Lombardo (Azione), Ivan Scalfarotto (IV) e Ilaria Cucchi (Avs), que participou por vídeo. Também marcaram presença dirigentes da imprensa: Giuseppe Giulietti (Articolo 21), Carlo Bartoli e Silvestro Ramunno (Ordem dos Jornalistas, Região Emilia-Romagna) e Vittorio Di Trapani, presidente da FNsi. A articulação política busca rechaçar o arquivamento e conservar a investigação aberta até que os autores materiais possam ser identificados.

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Bonfietti ressaltou que, apesar dos avanços documentais, "non sono riusciti a determinare gli autori materiali dell'abbattimento": governos amigos e aliados, na visão das famílias, teriam dado respostas insuficientes ou contraditórias. Entre as linhas que merecem aprofundamento está a suposta ação de aviões militares franceses e americanos com base em Grazzanise, monitorados por centros de radar vinculados ao comando da Nato na Bélgica.

Os autos contêm ainda indícios de que ambientes mafiosos em Palermo teriam conhecimento, desde imediatamente após o ocorrido, das dinâmicas trágicas que cercaram a queda do DC-9. Para Bonfietti e os parlamentares reunidos, esses indícios, somados à confirmação das conclusões de Priore, configuram material probatório que não pode ser simplesmente arquivado.

O apelo principal é técnico e jurídico: requer-se que o gip e a comunidade jurídica analisem com cuidado as novas provas e determinem se não existem lacunas investigativas capazes de identificar os responsáveis materiais. Na palavra dos familiares e das associações presentes, "Ustica não se pode archiviare" — um imperativo que mistura dor, memória e exigência de verdade, sustentado por levantamento documental e cruzamento de fontes.

Apuração in loco, cruzamento de fontes e foco nos fatos brutos: essa é a linha que as famílias e parte da sociedade civil apresentam ao tribunal. A audiência de 18 de março será, segundo os envolvidos, uma ocasião decisiva para obrigar o sistema judiciário a não encerrar a investigação sem esgotar hipóteses e sem buscar responsabilizações claras sobre o que ocorreu naquele espaço aéreo em 1980.

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