Ex-presidente da AIA Antonio Zappi e o novo designador Dino Tommasi serão ouvidos em inquérito sobre árbitros em Milão
Zappi e Tommasi serão ouvidos em Milão no inquérito que apura interferências na Sala Var e suspeita de fraude esportiva envolvendo designações.
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Ex-presidente da AIA Antonio Zappi e o novo designador Dino Tommasi serão ouvidos em inquérito sobre árbitros em Milão
Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes: estão convocados para depor na Procura de Milão o ex-presidente da AIA, Antonio Zappi, e o novo designador de árbitros, Dino Tommasi. As oitivas, marcadas para 8 de maio de 2026, ocorrerão como tomadas de declaração na condição de pessoas informadas dos fatos pelo procurador Maurizio Ascione, no âmbito de um inquérito cujo núcleo é o suposto crime de frode sportiva.
Segundo o levantamento de fatos brutos realizado pela redação, a investigação apura interferências na Sala Var de Lissone e possíveis combinações de designações favoráveis a determinados clubes. Em foco está a conduta do árbitro auto-suspenso Gianluca Rocchi, que é apontado por promotores como provável destinatário de interferências e articulações com outros agentes do sistema de arbitragem.
O histórico apurado mostra que, em 29 de abril, Antonio Zappi teve sua condição revogada após o Collegio di Garanzia do Coni rejeitar seu recurso contra uma suspensão de 13 meses. A penalidade decorre de pressões consideradas indevidas sobre os dirigentes dos órgãos técnicos das séries A e B. Em documentos referenciados pela investigação, consta que Zappi encaminhou à Procuradoria Federale uma denúncia apresentada por Domenico Rocca, denúncia que posteriormente foi arquivada pela mesma Procuradoria por não considerar os fatos passíveis de aprofundamento, incluindo as supostas 'batidas' de Gianluca Rocchi no jogo Udinese-Parma.
Como medida administrativa interna, após o relato do assistente arbitral, Zappi também teria promovido uma alteração regulatória exigindo que qualquer deslocamento até Lissone — a começar por Rocchi — viesse acompanhado de uma relação pormenorizada, descrevendo a atividade desempenhada. O documento de alteração visava criar rastreabilidade das presenças na Sala Var.
Dino Tommasi, que substituiu Rocchi na função de designador após a sua auto-suspensão e que antes atuava como seu vice, ocupa atualmente cargo na Comissão de Árbitros da Série A. Em declaração pública, Tommasi registrou "solidariedade e vicinhança por parte de todo o grupo de árbitros" em relação a Rocchi e ao supervisor do Var auto-suspenso, Andrea Gervasoni.
Na inscrição do inquérito permanecem cinco indiciados relacionados ao caso. Além de Gianluca Rocchi e do supervisor Andrea Gervasoni, figuram como investigados o assistente VAR Daniele Paterna, o VAR Luigi Nasca e o AVAR Rodolfo di Vuolo. Fontes judiciais informaram também que a atenção do Ministério Público inclui checagens sobre um possível encontro entre o ex-designador e Giorgio Schenone, club referee manager do Inter.
O procurador Maurizio Ascione tem procedido a escutas de testemunhas nos últimos dias, ampliando o mapa de relações e confrontando depoimentos com registros de presença e comunicações internas. A investigação segue em fase de coleta probatória, com ênfase na reconstrução objetiva das trajetórias na Sala Var e na análise documental das designações.
Relato técnico e sem conjecturas: a apuração prossegue com prioridade à verificação de evidências e ao cruzamento de provas. A realidade traduzida em dados apontará se há elementos suficientes para configurar a acusação de frode sportiva e se as condutas atribuídas constituem, no plano penal, crime passível de ação pública.