83ª Mostra di Venezia: Herzog, McDonagh e Amelio definem o segundo dia entre glamour e urgência política

Herzog, McDonagh e Amelio marcam o segundo dia da 83ª Mostra de Veneza entre red carpet, política e dramas humanos.

83ª Mostra di Venezia: Herzog, McDonagh e Amelio definem o segundo dia entre glamour e urgência política

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83ª Mostra di Venezia: Herzog, McDonagh e Amelio definem o segundo dia entre glamour e urgência política

Depois do brilho e da pompa da abertura, a 83ª Mostra del Cinema di Venezia desembarca em seu segundo dia com um programa que une o glamour do tapete vermelho ao rigor do cinema como espelho do nosso tempo. Nesta quinta-feira, o Lido recebe três nomes que representam diferentes economias do olhar cinematográfico: Werner Herzog e Martin McDonagh em competição, e Gianni Amelio fora de concurso.

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O red carpet promete uma verdadeira parata de estrelas: de Kate Mara e Rooney Mara a John Malkovich, Sam Rockwell e Steve Buscemi, sem esquecer os representantes do cinema italiano como Alessandro Borghi, Valeria Golino e Valerio Mastandrea. É um encontro entre a aura das celebridades e a substância narrativa — o roteiro oculto da sociedade passando pela vitrine do espetáculo.

Grande aposta do dia, Wild Horse Nine, de Martin McDonagh, alinha-se ao thriller político. Ambientado pouco antes do golpe de Estado chileno de 1973, o filme acompanha dois agentes da CIA — Chris (interpretado por Sam Rockwell) e Lee (interpretado por John Malkovich) — enviados por seu chefe MJ (Steve Buscemi) até a Ilha de Páscoa. Em meio às enigmáticas estátuas Moai, os protagonistas confrontam passado e conspirações presentes, enquanto o elenco reserva surpresas com participações de Tom Waits e Parker Posey. O filme chega à Mostra com ambições de Leone d'Oro, oferecendo um thriller que reframe a memória histórica através da tensão política.

Também na disputa pelo prêmio maior, Bucking Fastard, de Werner Herzog, foca nas irmãs Jean e Joan Holbrooke, interpretadas por Kate Mara e Rooney Mara. Herzog opta por não entrar em seu universo íntimo, mas por recriar o espelho público que as cerca: os tribunais, a imprensa, e os atores sociais que tentam ajudar ou explorar. É uma investigação da imagem como território de conflito — a semiótica do viral antes mesmo da era digital.

Fora de competição, Gianni Amelio apresenta Nessun dolore, uma obra que se anuncia como um exame das fraturas sociais contemporâneas. Alessandro Borghi é Davide, um vendedor de livros usados cuja vida muda quando lhe é ‘confiado’ um menino norte-africano; uma sequência de eventos — um acidente e uma corrida ao pronto-socorro — o leva a cruzar com Aminah (interpretada por Beidja Yahiaoui), uma jovem grávida recém-chegada à Itália. Movido por generosidade ou por uma fragilidade íntima, Davide transforma sua casa num refúgio para os invisíveis, pagando um preço alto. No elenco, ainda se destacam Valeria Golino e Valerio Mastandrea.

O segundo dia da Mostra, portanto, não é apenas um desfile de rostos famosos: é um painel onde o entretenimento se encontra com a urgência política e social — o cinema como cenário de transformação. Sob a curadoria dos grandes nomes em exibição, o Lido vira uma arena em que a imagem pública colide com histórias privadas, e onde a memória histórica reemerge como personagem. Nesta temporada, a Mostra parece perguntar ao público: que reflexos do nosso tempo estamos dispostos a encarar?

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