Alessandro Borghi em Veneza 83: “A indiferença não me pertence; vou ensinar meu filho a ajudar”
Alessandro Borghi em Veneza 83 sobre 'Nessun dolore': a indiferença não lhe pertence; ensinará ao filho a ajudar. Filme estreia 24/09 com 01.
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Alessandro Borghi em Veneza 83: “A indiferença não me pertence; vou ensinar meu filho a ajudar”
Chegando à 83ª Mostra de Cinema de Veneza para apresentar a obra fora de competição Nessun dolore, Alessandro Borghi reafirma um posicionamento que parece tão cinematográfico quanto ético. Em entrevista à Espresso Italia, o ator italiano disse que a indiferença não lhe cabe — e anunciou que, acima de tudo, ensinará ao seu filho o valor de se ajudar o outro.
Dirigido por Gianni Amelio, Nessun dolore abre um espaço para discutir o que muitas vezes passa despercebido nas narrativas cotidianas: o silêncio conivente diante do sofrimento alheio. A presença de Borghi no tapete vermelho da Mostra de Cinema de Veneza funciona como um espelho cultural: quando o intérprete utiliza sua voz pública para desafiar a apatia, o filme deixa de ser apenas um objeto estético para tornar-se um convite ao debate.
“A indiferença não mi appartiene”, afirmou Borghi, traduzindo em termos humanos a responsabilidade que considera inseparável de sua condição de pai e figura pública. A declaração, simples na forma, reverbera como um roteiro oculto da sociedade — uma chamada para reexaminar como nos dispomos diante do sofrimento e que tipos de respostas ensinamos às próximas gerações.
Em cena, a direção sensível de Gianni Amelio propõe um contraponto à cultura do desgaste emocional e da clausura afetiva. Borghi, que tem construído carreira com escolhas que transitam entre o mainstream e o cinema de forte conteúdo social, se posiciona aqui como intérprete e como símbolo de uma mudança de atitude: em vez de naturalizar a indiferença, o filme e sua presença pública a questionam.
Essa escolha temática ganha ainda mais sentido se pensada como uma espécie de reframe da realidade contemporânea — onde a tecnologia amplia vozes, mas também pode anestesiar compaixões. Borghi sublinha que, para ele, a educação afetiva começa em casa: ensinar o filho a ajudar o outro é, segundo o ator, uma forma concreta de combater a apatia social.
Nessun dolore estreia nas salas em 24 de setembro, pela distribuidora 01, e chega ao circuito carregado dessa intenção ética e estética. Ver o filme após a Mostra será assistir não apenas a uma narrativa sobre sofrimento, mas a um pequeno manifesto contra a indiferença — um lembrete de que o cinema continua a ser um espelho do nosso tempo e um espaço de possibilidade.
Como analista cultural, vejo em gestos como o de Borghi a potência do cinema contemporâneo: transformar atores em interlocutores públicos capazes de traduzir inquietações individuais em conversas coletivas. Se o roteiro oculto da sociedade precisa de protagonistas, que sejam, ao menos, sensíveis o suficiente para ensinar às próximas gerações a arte de ajudar.

