Amani El Nasif: a cidadania italiana como passaporte para a liberdade e um novo olhar sobre a adolescência

Amani El Nasif vê a cidadania italiana como passaporte para a liberdade e lança memoir sobre adolescência, escuta e escolas.

Amani El Nasif: a cidadania italiana como passaporte para a liberdade e um novo olhar sobre a adolescência

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Amani El Nasif: a cidadania italiana como passaporte para a liberdade e um novo olhar sobre a adolescência

Em um diálogo franco com a imprensa durante o festival Pordenonelegge, a escritora e ativista Amani El Nasif descreveu como a cidadania italiana, obtida em 2016 aos 26 anos, se transformou para ela muito além de um documento de viagem: "Para mim a cidadania italiana é um sinal de liberdade incrível, um passaporte que me permitiu sentir-me livre para dizer o que penso e, ao mesmo tempo, ser protegida". Nascida na Síria em 1990 e criada em Bassano del Grappa (Vicenza), El Nasif converteu trajetórias pessoais em testemunho público e, sobretudo, em um compromisso com as escolas.

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Com o lançamento do novo memoir "Sii più forte di quanto credi. Voci, paure e sogni dalle scuole medie"" (Piemme), a autora retorna a uma fase anterior ao episódio que marcou sua vida — a vicenda ligada a um casamento combinado — para olhar de perto a infância tardia e o início da adolescência: as amizades, as inseguranças, a descoberta de si. O livro nasce também do confronto com a filha, que acaba de iniciar o ensino médio, e da experiência acumulada em mais de treze anos de encontros com jovens nas instituições de ensino.

El Nasif explica que revisitou “a Amani antes dos 16 anos” como forma de colocar em diálogo a adolescente que foi com a garota que ela observa hoje nas salas de aula. O ponto central de sua reflexão é que, apesar da transformação dos instrumentos — redes sociais, ritmos acelerados de informação, exposição constante —, as necessidades dos jovens permanecem reconhecíveis: a necessidade de ser ouvida, o desejo de acolhimento, o peso das palavras, as dinâmicas entre pares e a relação com professores.

Na sua prática junto às escolas, a escritora sublinha a importância da escuta ativa. "Cinco minutos para cada aluno já bastam para que ele se sinta escutado. Faz realmente a diferença", afirma. Não se trata de perguntas genéricas — "como foram as férias?" —, mas de construir espaços concretos nos quais um jovem possa partilhar o que vive. O título do livro dirige-se diretamente aos leitores jovens: "Você é mais forte do que imagina" — uma força que muitas vezes aflora diante de situações que exigem testar recursos internos.

Ao observar as novas pressões que cercam a juventude contemporânea, El Nasif não cede à tentação do pessimismo: embora "o que os cerca hoje os sobrecarregue muito", ela recusa a ideia de uma geração sem esperança. "Eu confio neles", diz. Sua experiência pessoal — fruto de deslocamentos entre culturas, de provações e de reconstrução — transforma-se em um espelho para compreender o presente dos adolescentes, assim como em uma ferramenta pedagógica para professores e famílias.

O relato de El Nasif funciona como um pequeno placar cultural: de um lado, a conquista da documentação que ampliou sua capacidade de expressão e proteção; do outro, a dedicação à escuta e ao encontro nas escolas. Em sua voz, há uma mistura de testemunho e análise — um roteiro sutil que conecta identidade, memória e o cenário contemporâneo das salas de aula, lembrando que a educação não é apenas transmissão, mas a criação de espaço para que vozes emergam.

Chiara Lombardi, para Espresso Italia

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