‘Cultura é investimento’: Caruso (Região Lombardia) defende papel econômico e social em Futura
Francesca Caruso (Reg.Lombardia) afirma em Futura: 'Cultura é investimento' e peça-chave para o desenvolvimento econômico e social do território.
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‘Cultura é investimento’: Caruso (Região Lombardia) defende papel econômico e social em Futura
Por Chiara Lombardi — Em um cenário tão simbólico quanto o Teatro alla Scala, a segunda edição de Futura assumiu o caráter de um espelho do nosso tempo: não apenas um encontro sobre arte, mas uma reflexão sobre como a cultura atua como força motriz de transformação. Francesca Caruso, assessora de Cultura da Regione Lombardia, sublinhou essa leitura em sua intervenção: 'Nesta segunda edição de Futura o recado que queremos transmitir é que a cultura é um investimento e uma alavanca econômica e social importante para o território'.
O festival propõe um palimpsesto de linguagens e gerações, um verdadeiro roteiro onde se cruzam artes clássicas e expressões urbanas. 'Temos um palinsesto realmente transversal, com artes e disciplinas diferentes, mas também com gerações em confronto, de grandes mestres como Sgrò aos jovens street artists como Greg Goya', afirmou Caruso, reforçando a ideia de que a curadoria pública deve articular continuidade e inovação.
Na minha leitura, esse posicionamento funciona como um reframe da realidade: a cultura deixa de ser vista apenas como consumo simbólico e passa a ser reconhecida como infraestrutura — um investimento público que catalisa emprego, turismo, regeneração urbana e capital social. Ao mesmo tempo, Caruso lançou uma provocação institucional e democrática: 'É importante experimentar, mas também chegar a novos públicos. Esta é uma das minhas prioridades nas políticas culturais. O que uma instituição cultural deve fazer, de fato, é aproximar o maior número de pessoas possível do mundo da cultura'.
Essa prioridade tem implicações práticas claras: formação, políticas de acesso, parcerias com escolas e iniciativas que dialoguem com territórios periféricos. Nesse sentido, o evento Futura funciona como laboratório e vitrine — um espaço para testar perguntas que, segundo a edição 2026, são o verdadeiro motor do conhecimento e da inovação. A escolha do tema, o valor das perguntas, remete à semiótica do viral: perguntar é reconfigurar o enquadramento do debate público.
O eco cultural de declarações como a de Caruso também nos convida a pensar a cultura como capital simbólico e como infraestrutura econômica, sobretudo em regiões que têm no patrimônio e nas indústrias criativas um diferencial estratégico. Em tempos de cortes e reorientações orçamentárias, afirmar que a cultura é investimento é, sobretudo, uma aposta na capacidade do setor de gerar retorno material e imaterial para o território.
Futura, ao reunir artistas, designers, intelectuais, personalidades do cinema, teatro e música, além de representantes institucionais, materializa essa ambição: transformar perguntas em políticas, ideias em projetos e plateias em agentes. Como observadora do zeitgeist, vejo nessa iniciativa o roteiro oculto de uma sociedade que busca reinventar seus laços — culturalmente, economicamente e socialmente.

