Jimmy Ghione critica homenagem a Wanna Marchi no Campidoglio: “Não esqueço as vítimas”
Jimmy Ghione critica homenagem a Wanna Marchi no Campidoglio e lembra vítimas das fraudes investigadas por Striscia la Notizia.
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Jimmy Ghione critica homenagem a Wanna Marchi no Campidoglio: “Não esqueço as vítimas”
Em meio à polêmica que tomou as redes e a imprensa, Jimmy Ghione voltou a se manifestar sobre a entrega do “Premio Internazionale della Cultura” a Wanna Marchi e sua filha Stefania Nobile, cerimônia privada realizada na Sala da Promoteca do Campidoglio. O histórico repórter de Striscia la Notizia — hoje também participante de Ballando con le stelle — não poupou palavras, lembrando o papel do seu trabalho investigativo e o sofrimento deixado pelas fraudes.
Conectado ao programa La volta buona, Ghione afirmou que a premiação causa dor a quem acompanhou a apuração do caso: “Nós fomos os que descobrimos tudo o que aconteceu”, disse, demonstrando desapontamento por ver as duas mulheres celebradas em um cenário de prestígio. A declaração reverbera como um espelho do nosso tempo: a memória do jornalismo investigativo confronta-se com uma celebração pública que parece ignorar as cicatrizes das vítimas.
O jornalista sublinhou que sua preocupação maior são as pessoas lesadas pelas fraudes. “Eu fui ao Brasil visitar algumas vítimas. Quanta dor eu encontrei nos olhos delas”, contou Ghione, evocando histórias de quem tentou o suicídio ou depositou confiança em promessas que destruíram lares e economias. A lembrança dessas vidas atingidas funciona aqui como um roteiro oculto que nos força a reconsiderar a dimensão humana por trás da manchete.
Ao mesmo tempo, Ghione procurou relativizar a responsabilidade direta do Comune: “Sei que o Município não tem culpa e que se colocou à distância”, afirmou, mas criticou o que definiu como uma possível atitude de demasiada leveza por parte de quem organizou ou permitiu o evento. Segundo ele, houve uma espécie de “agguato” à instituição, que acabou exposta a críticas compreensíveis.
Ghione fez um alerta mais amplo: é preciso cautela ao lidar com figuras que se beneficiaram do afeto e da fragilidade alheia. “Elas jogaram com as pessoas, com afetos que já não existiam; agarravam-se a pais que tinham perdido filhos” — palavras que evocam a semiótica do trauma e a manipulação emocional como técnica de dominação.
Na voz de quem acompanhou o caso desde a apuração, a intervenção de Jimmy Ghione funciona como um convite a não naturalizarmos celebrações que apagariam as marcas das vítimas. É um lembrete pungente de que o entretenimento e o reconhecimento público sempre carregam um contexto histórico e ético: o palco da cultura, quando mal calibrado, pode reescrever memórias e reconfigurar a narrativa social.

