Greg Goya leva ‘Atto futuro’ à La Scala: um globo de partituras que recolhe medos do tempo

Greg Goya apresenta 'Atto futuro' na La Scala: um globo de partituras em branco onde o público escreve medos e reflexões sobre o futuro.

Greg Goya leva ‘Atto futuro’ à La Scala: um globo de partituras que recolhe medos do tempo

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Greg Goya leva ‘Atto futuro’ à La Scala: um globo de partituras que recolhe medos do tempo

Por Chiara Lombardi — No pulsar sofisticado do cenário cultural europeu, a obra de Greg Goya desembarca como um espelho do nosso tempo. Em sua intervenção na segunda edição de Futura. Nuovi sguardi per la Cultura, realizada no majestoso Teatro alla Scala de Milão, o artista apresentou Atto futuro, peça que sintetiza em imagem e gesto as inquietações coletivas sobre o porvir.

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Descrevendo o processo criativo, Goya explicou que construiu um mappamondo coberto por partituras em branco — folhas que, sem notas, funcionam como superfície em potencial. O gesto central da obra foi convidar o público a interagir: as pessoas foram chamadas a escrever diretamente sobre o globo, registrando suas medos, angústias e reflexões acerca do futuro. O resultado é um mapa íntimo e coral do tempo que estamos atravessando, um roteiro audiovisual imaginário traduzido em caligrafias diversas.

“Criar ‘Atto futuro’ foi a aventura mais bonita da minha vida”, disse o artista, numa declaração que ecoou entre cadeiras e camarins. A afirmação não é apenas emoção pessoal: é também a constatação de um percurso artístico que o levou a levar sua estética por palcos e centros culturais do mundo, até pousar em um dos monumentos máximos da cultura italiana.

O encontro Futura. Nuovi sguardi per la Cultura focaliza, nesta edição, o valor das perguntas como motor de conhecimento e inovação. Nesse contexto, Atto futuro atua como dispositivo de indagação: transforma o espectador em coautor, e a obra em um arquivo vivo de incertezas públicas. A partir desse gesto, emerge um interrogatório coletivo sobre o que esperamos, tememos e desejamos do amanhã — um verdadeiro reframe da realidade através da linguagem plástica.

Como analista cultural, vejo nessa peça uma operação semiótica precisa: as partituras vazias funcionam como metáfora da página em branco do futuro, enquanto as inscrições do público constituem as notas possíveis de uma sinfonia ainda não escrita. O projeto se revela, portanto, como um pequeno laboratório de memória e imaginação — o roteiro oculto da sociedade sendo esboçado em tempo real.

No final de seu relato, Goya afirmou que realizar esse trabalho e vê-lo circular pelo mundo correspondeu ao seu sonho de vida: “fazer e viver de arte”. Hoje, com Atto futuro exposto na La Scala, esse sonho ganha uma dimensão simbólica potente, conectando a experiência individual do artista com uma cena pública de alto significado cultural.

Em tempos nos quais as perguntas se tornam moeda de inovação, a proposta de Greg Goya nos lembra que o futuro também se compõe das pequenas confissões coletivas — rabiscos que, juntos, formam a partitura de uma era.

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