Jimmy Ghione estreia em Ballando com desempenho criticado; d'Urso: 'Parecia o Gabibbo'
Estreia de Jimmy Ghione em Ballando con le stelle gerou críticas; d'Urso comparou-o ao Gabibbo. Veja avaliações dos jurados e o resultado: 16 pontos.
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Jimmy Ghione estreia em Ballando com desempenho criticado; d'Urso: 'Parecia o Gabibbo'
Por Chiara Lombardi — A estreia de Jimmy Ghione em Ballando con le stelle foi, na melhor das hipóteses, um exercício de visibilidade que não se traduziu em técnica. O ex-inviato histórico de Striscia la Notizia entrou como primeiro concorrente da noite na nova temporada do dance show da Rai1, transmitido em 3 de outubro, e subiu ao palco ao lado da parceira Anastasia Kuzmina para um boogie que deixou a bancada de jurados mais divertida do que convencida.
Logo após a apresentação, a presidente da bancada, Carolyn Smith, justificou o sorriso ao enaltecer a alegria de Ghione, mas apontou falhas técnicas: 'Você perdeu o tempo no final; não é ruim para quebrar o gelo', disse, reconhecendo o valor do carisma enquanto corroía a nota técnica.
O comentário mais afiado veio de Alberto Matano, que, com humor autoconsciente, prometeu 'vingança depois de todos os tapiri que me deram' e descreveu a performance como 'um grande caos'. Na mesma linha, Ivan Zazzaroni foi direto, definindo o número como 'um boogie marionetado, você só saltitava'.
Foi, porém, a estreia de Barbara d'Urso como jurada que roubou manchetes: comparando os gestos de Ghione a uma figura bem conhecida da televisão italiana, ela disparou que, em cena, ele havia parecido o Gabibbo. A referência – ácida e simbólica – funciona como uma lâmina cultural: o Gabibbo é, afinal, um ícone televisivo que encarna uma certa caricatura pública, e chamá-lo à cena é etiquetar a performance como espetáculo mais do que dança.
Guillermo Mariotto, sempre crítico do lado performático, aconselhou Ghione a deixar de lado o personagem do 'piacione' e a dedicar-se com mais disciplina nas próximas saídas à pista. O veredito final refletiu o tom geral da noite: apenas 16 pontos no placar.
O episódio vale ser lido além dos passos errados. A passagem de um rosto de telejornalismo popular para o ritmo do entretenimento dançante revela o roteiro oculto das celebridades contemporâneas: a transformação de identidade pela performance. Quando Barbara d'Urso invoca o Gabibbo, ela não apenas critica técnica — ela situa Ghione num espelho do nosso tempo, onde persona e personagem se confundem e a televisão recicla arquétipos.
Em termos de cultura pop, a noite foi uma pequena fábula sobre como a memória coletiva reage à mise-en-scène: há mais interesse no eco cultural do gesto do que na precisão do passo. Ballando con le stelle continua a ser um palco onde a dança encontra a semiótica do viral e onde a crítica do corpo em cena devolve reflexos sobre identidade, fama e autenticidade.
Para Jimmy Ghione, o desafio é claro: transformar a simpatia em técnica, substituir o rótulo de entertainer ocasional por progresso dançante consistente — e, talvez, reinventar o roteiro pessoal que o trouxe do jornalismo popular às luzes de pista. O público, e sobretudo a bancada, aguarda a próxima tomada.

