Milo Infante confessa em Verissimo: 'Assorvo o sofrimento alheio, penso em Piera Maggio e me sinto culpado'
Milo Infante revela em Verissimo como absorve o sofrimento alheio e fala sobre Mediaset, família e a culpa por episódios pessoais.
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Milo Infante confessa em Verissimo: 'Assorvo o sofrimento alheio, penso em Piera Maggio e me sinto culpado'
Milo Infante foi o convidado de hoje no sofá de Silvia Toffanin em Verissimo e trouxe uma entrevista aberta, que mais parecia um roteiro íntimo onde jornalismo e vida pessoal se entrelaçam. O jornalista falou sobre sua chegada à Mediaset, o medo de desapontar e a maneira como as histórias que cobre se instalam em sua própria existência.
Infante revelou ter passado noites pensando se havia escolhido o caminho certo depois de migrar para a casa que, desde a adolescência, representava um destino: “Quando sonhava em ser jornalista, tinha 13 anos e sempre via o antennone da Mediaset — era um ponto de chegada”, disse. Hoje ele apresenta Ore 11 e, às terças, comanda Verità nascoste, ocupações que representam um novo capítulo profissional e um lugar onde se sentiu acolhido: “Me senti desde o início aceito, não estava acostumado a isso”.
Apesar do entusiasmo com a mudança, Infante admitiu a pressão: “Tinha medo de decepcionar todo mundo, o público, Pier Silvio Berlusconi. Perguntei-me várias vezes se havia feito a escolha certa”. No espelho de sua narrativa, ele não esquece os anos na Rai: “Anos de batalhas, de grandes satisfações, sem arrependimentos. Anos de vida muito belos”.
O tom da conversa ficou mais denso quando o jornalista falou da família. Ele lembrou do pai, cuja saúde fragilizou-se ao ponto de precisar de uma estrutura de acolhimento: “Os médicos recomendaram interná‑lo. Ele estava lúcido, fisicamente fraco”. Infante recorda o último encontro: “Fui visitá‑lo e ele me disse ‘Llevami via di qui’ — ‘Tira‑me daqui’. Naquele momento não dei muito peso. Tinha 30 anos, pensava no trabalho, voltei para casa. Dois dias depois ele morreu. Essa culpa ainda me acompanha” — palavras ditas com a voz entrecortada pela emoção.
No retrato familiar, há também memórias da adolescência vivida em um apartamento modesto na Viale Monza 325: “Eu causei muitas decepções aos meus pais. Tempos em que eu envergonhava‑me de convidar amigos para casa”. Anos depois, ao olhar para trás, entendeu o esforço e o sacrifício que seus pais fizeram.
Hoje, Milo Infante é pai de Daniele, 18 anos, e está casado há 20 anos com Sara Venturi, que define como sua “rocha”: “É a rocha contra a qual a onda se desfaz. Por mais que eu seja forte, me liquefaz diante da concretude dela. Ela e Daniele são a única casa que eu procuro”.
O ponto que atravessa toda a entrevista é o peso emocional do ofício: “Acho que absorvo o sofrimento dos outros. Eu faço minhas as dores alheias e as carrego comigo”. Ele cita casos específicos que o perseguem — como o de Piera Maggio e sua filha, Denise Pipitone, e a mãe de Alberto Stasi — histórias que, segundo ele, não o deixam ao fim do expediente. “A sua vida não muda por essas histórias, mas elas a condicionam. Não as esquece quando chega em casa”. Houve até quem o acusasse de ser obcecado por alguns casos, um reflexo da forma como certas narrativas se enraízam e viram espelho do nosso tempo.
Na voz de Milo Infante, o jornalismo aparece como um ofício que exige resistência emocional. Para quem o escuta, fica a imagem de um profissional que, como um protagonista de cinema, carrega nos bastidores aquilo que a câmera nem sempre mostra: o roteiro oculto da sociedade e o eco cultural dos eventos que, vez por outra, definem nossa memória coletiva.

