Morre Peter Max, ícone da Pop Art psicodélica que pintou o 'flower power'

Morre Peter Max, ícone da Pop Art psicodélica; sua arte colorida definiu o 'flower power' e marcou gerações com imagens onipresentes.

Morre Peter Max, ícone da Pop Art psicodélica que pintou o 'flower power'

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Morre Peter Max, ícone da Pop Art psicodélica que pintou o 'flower power'

Por Chiara Lombardi — Em um momento que parece extraído de um cartaz vintage dos anos 60, desaparece um dos artistas que mais claramente traduziu o espírito daquela era. Peter Max faleceu na segunda-feira, 14 de setembro, em Manhattan, aos 88 anos, anunciou seu filho Adam Max ao New York Times. Embora a causa oficial não tenha sido divulgada, fontes indicam que o artista lutava há tempos contra a demência.

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Com uma paleta que parecia filtrada por um prisma — turquesa, laranja, verde neon — e formas que fluíam entre o cósmico e o floral, Peter Max se tornou sinônimo da Pop Art e da estética psicodélica associada aos filhos dos flores. Suas imagens não ficaram confinadas às galerias: tornaram-se o tecido visual da cultura de massa, estampando pôsteres, roupas, objetos do cotidiano, selos e capas que colaram na memória coletiva de várias gerações.

Um dos episódios mais debatidos de sua trajetória envolve a capa do álbum e do filme Yellow Submarine. Max afirmou ter criado o projeto original antes de ele ser finalizado por Heinz Edelmann; ainda assim, a atribuição oficial permanece com Edelmann, enquanto a galeria Park West descreveu o papel de Max como um trabalho de consultoria preliminar. Essa disputa abre uma leitura atraente: como se constrói a autoria num tempo em que a imagem circula como mercadoria e ornamento cultural — tema caro ao comentário sociocultural sobre arte e memória.

Nascido em 19 de outubro de 1937 em Berlim, com o nome Peter Max Finkelstein, sua biografia pessoal já trazia o roteiro de uma Europa em frangalhos: família judia que deixou a Alemanha nazista na infância, passando por Xangai, pelo Tibete, por Israel e Paris, até se firmar em Nova York aos 16 anos. A metrópole americana foi a câmara de ressonância onde seu olhar se encontrou com quadrinhos, cinema e o improviso do jazz, ingredientes que fermentaram a estética que o tornaria célebre.

Max costumava resumir sua visão com uma frase que virou lema: "Vejo tudo através de olhos arco-íris". Essa declaração é, em si, um pequeno manifesto sobre a função da cor como ferramenta de afeto e memória. Na longa lista de incursões comerciais e institucionais, estão o primeiro logotipo da MTV nos anos 80, a escolha como artista oficial da Copa do Mundo de 1994 realizada nos Estados Unidos e associações com eventos como Olimpíadas, Super Bowl e a 500 Milhas de Indianápolis. Segundo relatos do próprio artista, seu trabalho foi aplicado em cerca de 70 linhas de produtos ao longo das décadas.

Mais do que a soma de estampas e campanhas, a obra de Peter Max funciona hoje como um espelho do nosso tempo: reflete não só uma estética, mas um modo de coletar e distribuir desejos visuais. Seus motivos cósmicos e florais foram, por décadas, o refrão visual de uma geração que buscava reimaginar o mundo. E mesmo quando a cor se apaga — como na tragédia íntima da demência — resta a obra, que continua a operar como um arquivo sensorial e histórico.

Ao revisitar a trajetória de Max, somos convocados a pensar no roteiro oculto da sociedade: como imagens tornaram-se emblemas de identidade e como artistas navegam entre criação e mercado. Peter Max partiu, mas suas cores persistem — não apenas como nostalgia, mas como fragmentos do que já fomos e do que seguimos imaginando.

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