Morre Prince Waly, o rapper francês que fez de Balotelli um símbolo de sua geração
Prince Waly (Moussa Magassa), rapper francês de 34 anos, morre após longa doença; trajetória, álbuns, diagnóstico e legado cultural.
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Morre Prince Waly, o rapper francês que fez de Balotelli um símbolo de sua geração
Morreu aos 34 anos o rapper francês Prince Waly, nome artístico de Moussa Magassa. Segundo comunicado da família nas redes sociais, ele faleceu no domingo, 4 de outubro, após uma luta de oito anos contra uma doença que marcou sua trajetória pessoal e artística. Nascido em Montreuil, na Seine-Saint-Denis, Prince Waly deixou um legado que ecoa além das batidas: como se sua obra fosse um espelho do nosso tempo, seus versos refletiam identidades e tensões de uma geração.
Formado inicialmente no coletivo Big Budha Cheez, Prince Waly rumou depois para a carreira solo. Em 2016 lançou o EP Junior, seguido em 2019 por BO Y Z e, em dezembro de 2023, por BO Y Z Vol. 2. Sua discografia carrega a marca de um artista que soube transitar entre a intimidade e o pulso urbano do rap francês, convertendo memórias e rupturas em canções.
Em 2019, foi diagnosticado com um tumor do timo, uma enfermidade que teve impacto direto em sua voz: a posição da massa tumoral o privou temporariamente da fala e o afastou dos palcos por meses. Em mensagem posterior, anunciou a cura do tumor ao final de 2021, um capítulo que parecia abrir caminho para um retorno potente.
O retorno aconteceu em 2022 com o álbum Moussa, que reuniu colaborações com nomes como Feu! Chatterton, Jazzy Bazz e Luidji. Em maio de 2023 subiu ao palco da primeira edição das Flammes — celebração do rap e das músicas populares francesas — acompanhado da esposa, a cantora Enchantée Julia. Em janeiro de 2025, realizou um concerto na Philharmonie de Paris, consolidando sua presença tanto na cena alternativa quanto nos palcos institucionais.
No entanto, em setembro do ano passado, Prince Waly revelou sofrer de pemfigo paraneoplásico, uma doença autoimune rara que provoca lesões dolorosas na pele e mucosas. Apesar das adversidades, sua família lembrou-o como alguém de “profunda sensibilidade” que continuou a criar até o fim. “Moussa continuará a viver através da sua música e das vossas orações”, escreveram.
Entre os seus temas mais conhecidos está Balotelli, parceria com o rapper Freeze Corleone. O título invoca o nome do futebolista italiano Mario Balotelli como ícone de uma geração vista ao mesmo tempo como excêntrica e talentosa — uma metáfora que atravessou fronteiras e ajudou a projetar Prince Waly para além da cena do rap francês.
Casado desde março de 2023 com Enchantée Julia, Prince Waly deixa uma obra que funciona como um roteiro oculto da sociedade: canções que mapeiam vulnerabilidades e ambições, e que agora servem como arquivo sonoro de uma voz interrompida cedo demais. Em termos culturais, sua trajetória é um refrão sobre resistência e reinvenção — o tipo de eco cultural que continua a ressoar quando as luzes do palco se apagam.
Enquanto o mundo do rap e da música francesa lamenta a perda, resta a música como testamento e a reflexão sobre como doenças graves alteram não só corpos, mas narrativas coletivas. Prince Waly parte deixando o convite para escutarmos de novo, com atenção, aquilo que suas letras sempre tentaram nos dizer.

