Opi, de Amici às tintas: 'Voltei a trabalhar como imbianchino para comprar o autotune'
Opi, ex-concorrente de Amici, revelou que voltou a trabalhar como imbianchino para comprar um autotune e seguir sua carreira musical.
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Opi, de Amici às tintas: 'Voltei a trabalhar como imbianchino para comprar o autotune'
Por Chiara Lombardi — Em um desdobrar que parece cena de um filme neorrealista, o cantor bergamasco Simone Opini — conhecido como Opi — contou em entrevista ao podcast Dimmi di te, apresentado por Lorella Cuccarini, como reorganizou a rotina na sequência de sua participação no talent show Amici. A revelação tem sabor de declaração sincera e traça o perfil de um artista que entende o palco como projeto, mas também respeita a economia do cotidiano.
Opi contou que, apenas uma semana após deixar o programa, voltou ao ofício de pintor — o clássico imbianchino — para levantar 100 euros. Esse dinheiro tinha um destino claro: comprar um autotune para levar aos shows e aprimorar sua performance ao vivo. "Digo uma coisa sem vergonha e disso me orgulho muito", disse ele, reafirmando que a decisão foi prática e imediata. "Era o modo mais rápido e ainda ajudava meu pai, que está nos últimos anos de trabalho antes de se aposentar".
O episódio reverbera além do anedótico. É um refrão sobre a relação entre ascensão midiática e realidades econômicas: o brilho do estúdio coexistindo com a necessidade de mãos que trabalham com tinta e rolo. Essa imagem — o jovem talentoso retornando ao trabalho manual para financiar o equipamento tecnológico que sustenta sua voz — funciona como um espelho do nosso tempo, onde as trajetórias artísticas muitas vezes mantêm vínculos íntimos com o cotidiano familiar.
No programa, Opi foi eliminado já na primeira noite do "serale" de Amici 2025, mas o cantor não vê isso como fim. Apoiado pela família, especialmente pelo pai que o incentiva a continuar e estudar, mantém o sonho musical vivo: "Meu pai disse: 'Não pare, continue e estude'". Esse encorajamento familiar se mistura à cena pública do talent show, compondo um roteiro oculto de persistência.
Outro capítulo desta narrativa foi sua relação pública com a professora Anna Pettinelli. Opi definiu o vínculo como tenso e, por vezes, conflituoso: "Parecíamos marido e mulher que discutem", contou ele. Ainda assim, reconhece a intensidade dessa relação profissional: Pettinelli travou uma grande batalha para levá-lo ao serale, e Opi confessa que, ao rever as imagens, muitas risadas surgem — e que, principalmente, aguarda reencontrá-la.
Como analista cultural, vejo essa história como um pequeno refrão do zeitgeist: a cultura do talento em circuito televisivo convergindo com a urgência econômica privada, e a tecnologia (o autotune) atuando como ponte entre sonho e mercado. A trajetória de Opi é um pequeno roteiro sobre resiliência, onde o artista não espera apenas o aplauso, mas também escolhe sujar as mãos para continuar subindo ao palco. É um eco cultural que vale observar — no fundo, é a semiótica de um jovem que aprende a equilibrar palco, família e profissão.
Enquanto isso, o público e a crítica aguardam os próximos passos: shows, experiências ao vivo e, quem sabe, novos capítulos dessa história que mistura tinta, voz e ambição.