Testamento de Guccini: casas vão para Raffaella Zuccari; filha Teresa recebe direitos autorais e quotas

Testamento de Guccini: casas para Raffaella Zuccari; filha Teresa recebe quotas da Limentra e 50% dos direitos autorais.

Testamento de Guccini: casas vão para Raffaella Zuccari; filha Teresa recebe direitos autorais e quotas

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Testamento de Guccini: casas vão para Raffaella Zuccari; filha Teresa recebe direitos autorais e quotas

Por Chiara Lombardi — O espelho do nosso tempo revela-se muitas vezes nos detalhes de um espólio. O testamento público assinado em 19 de janeiro de 2022 e registrado em 8 de setembro de 2026 diante do notário Luigi Stame, na presença da esposa Raffaella Zuccari e da filha Teresa, definiu o destino patrimonial do cantor e cronista cultural Francesco Guccini, falecido em 6 de agosto aos 86 anos em Pavana.

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Segundo o documento agora tornadoo público, Guccini revoga expressamente todas as disposições anteriores e nomeia Raffaella como herdeira universal de todos os seus bens. Entre esses bens estão a casa histórica em via Paolo Fabbri 43, em Bologna — endereço que por décadas foi um ponto de referência sentimental e cultural para várias gerações de fãs — e a residência de Pavana, local de sua morte.

À filha Teresa, nascida da longa relação com Angela Signorini e ligada àquela casa onde cresceu, Guccini reserva um legado focalizado em participação societária, direitos autorais e objetos de forte carga simbólica. O testamento concede a ela todas as quotas de participação do pai na sociedade Limentra srl e 50% dos direitos patrimoniais de autor relativos à sua atividade como cantautor e escritor.

Além dos aspetos patrimoniais, há a dimensão afetiva, quase um plano de cinema onde objetos funcionam como props que guardam memória: Guccini legou a Teresa a guitarra Trameleluc, o anel de ouro que pertenceu ao seu pai com as iniciais F e G, e o relógio Leonardo da Vinci. Ao redor do relógio, uma recomendação quase poética — mover apenas as lancetas para a frente, para não quebrá-lo — que soa como uma pequena diretriz de preservação da história pessoal.

O contexto testamentário é mais complexo do que parece à primeira leitura. Havia um testamento anterior, datado de 2015 e redigido pelo notário Lorenzo Luca, que já atribuía a Raffaella a casa de via Paolo Fabbri 43. Contudo, ele não foi publicado porque foi sobreposto pelo ato de 2022, que, por lei, anula disposições anteriores. O próprio notário Luca reconheceu que o seu documento de 2015 continha "muitas coisas para a filha Teresa", mas reiterou que o ato decisivo é o depositado pelo colega Stame.

Após a morte do artista, a residência da via Paolo Fabbri transformou-se em local de peregrinação: fãs deixaram flores e lembranças, e circulou a hipótese — que impressiona pelo seu simbolismo — de convertê-la em uma casa-museu aberta ao público. Esse desejo coletivo traduz o modo como a obra e a figura de Guccini funcionam como um cenário de transformação da memória cultural italiana e além.

Ao formalizar esta partilha, o testamento traça um roteiro tácito sobre como preservar o legado artístico e afetivo de um nome que, no repertório cultural europeu, sempre foi mais que um cantautor: um verdadeiro ponto de referência, cujo espólio agora distribui casas, direitos e objetos que serão, em diferentes formas, guardiões da sua história.

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