Alta dos combustíveis: governo aprova decreto-relâmpago sobre accise e medidas para energia

Governo aprova decreto sobre accise e energia; combustível sobe em várias regiões e risco de ultrapassar 3% do déficit, diz Giorgetti.

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Alta dos combustíveis: governo aprova decreto-relâmpago sobre accise e medidas para energia

Por Stella Ferrari — O alto preço dos combustíveis volta a pressionar o motor da economia italiana. Em comunicado, a Unione Nazionale dei Consumatori indica que, além das já citadas autoestradas, Bolzano e Friuli Venezia Giulia — onde o gasóleo já superava 2,10 euro por litro — hoje também ultrapassam essa barreira as províncias da Calábria, Trento, Ligúria, Lombardia, Puglia, Valle d'Aosta e Basilicata, enquanto o Piemonte se mantém exatamente em 2,10 euro.

Um fator atenuante são as tarifas nas autostrade, que, graças ao acordo entre AISCAT e o Ministério das Infraestruturas (MIT), apresentam preços médios inferiores aos pontos mais caros em solo provincial. Ainda assim, o quadro é de forte tensão: o diesel mais caro encontra-se nas autoestradas a 2,137 euro/litro; na província de Bolzano a 2,134; em segundo lugar a Calábria com 2,116 e em terceiro o Friuli com 2,113 euro por litro.

Em termos de variação diária, a Calábria detém o recorde: um tanque de 50 litros ficou 2,10 euro mais caro em relação a ontem. Para a gasolina, Bolzano lidera como a mais cara, seguida por Basilicata e Calábria.

Segundo o Ministério das Empresas e do Made in Italy, com dados do Observatório de Preços do MIMIT relativos a 3 de abril, o preço médio em regime self-service na rede rodoviária nacional é de 1,763 euro/litro para gasolina e 2,096 euro/litro para o gasóleo. Na rede autostradale, os valores médios self são 1,822 euro/litro para a gasolina e 2,137 euro/litro para o gasóleo.

Ao término do Conselho de Ministros, o ministro da Economia, Giancarlo Giorgetti, abordou a possibilidade de extrapolar o limite do 3% do deficit por causa da crise energética decorrente do conflito no Irã. Giorgetti explicou que a questão refere-se à eventual solicitação da cláusula de derrogação prevista pelo novo regulamento europeu de governaça económica e que, se as condições não mudarem, a reflexão a nível europeu será inevitável. "É a realidade", afirmou, reiterando posições já expostas no Eurogrupo e em outros fóruns internacionais.

Quanto à proroga do corte das accise sobre os combustíveis até 1º de maio, o ministério estima um custo em torno de 500 milhões de euros. Deste total, cerca de 200 milhões seriam cobertos automaticamente pelo aumento da arrecadação do IVA; para os restantes 300 milhões, será necessário identificar fontes de cobertura orçamentária.

Como estrategista que analisa a economia como um sistema de precisão, ressalto que este momento exige calibragem fina das políticas: a combinação entre políticas fiscais (freios e alívios das accise) e medidas de mercado (acordos em autoestradas) determinará a velocidade com que as pressões inflacionárias se transferirão para consumo e investimento. A capacidade de limitar impactos dependerá da coordenação europeia e da rapidez das decisões internas — uma verdadeira engenharia de políticas para manter o motor macroeconômico em funcionamento.