Areia de termovalorizadores é viável em pavimentações rodoviárias, afirma pesquisador do Politecnico di Milano
Pesquisa do Politecnico de Milão valida uso de areia de termovalorizadores em pavimentos, com testes de campo e parcerias como Anas e Officine dell'Ambiente.
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Areia de termovalorizadores é viável em pavimentações rodoviárias, afirma pesquisador do Politecnico di Milano
Maurizio Crispino, professor de construção de estradas, ferrovias e aeroportos do Politecnico de Milão, apresentou resultados encorajadores sobre o uso de areia de termovalorizadores em aplicações rodoviárias durante o evento “Il campo prova asfalti. Sostenibilità e materiali per le strade del futuro”, realizado em Bolonha dentro da programação do Asphaltica 2026.
Segundo Crispino, o seu relato resumiu os desdobramentos de uma extensa experimentação conduzida em parceria com a empresa Officine dell'Ambiente. A colaboração envolveu também várias entidades da cadeia — entre elas a Anas — e incluiu verificações de campo experimentais em trechos de via pública. Os resultados, descritos pelo professor como “muito importantes”, confirmam que essa tecnologia pode ser adotada em pavimentações com segurança e desempenho adequado.
Do ponto de vista da economia e da engenharia, a utilização de areia proveniente de termovalorizadores representa uma oportunidade para reduzir a pressão sobre os agregados naturais e oferecer uma alternativa técnica aos aterros, ao mesmo tempo em que contribui para metas de sustentabilidade. Em termos práticos, os ensaios de campo acompanharam o comportamento da mistura e a durabilidade em condições reais de tráfego, processo que é análogo à calibragem fina de um motor: é necessário ajustar a formulação e monitorar a resposta em operação para garantir performance e segurança.
Como estrategista de mercado, vejo esse avanço como uma aceleração de tendências que alia economia circular e engenharia rodoviária. A integração entre indústria, universidades e agências públicas para testar materiais alternativos é um exemplo de design de políticas aplicado ao nível técnico — uma espécie de caixa de ferramentas que permite aos gestores públicos aliviar os “freios fiscais” impostos por custos crescentes de manutenção e pela escassez de recursos naturais.
Há ainda desafios a superar: padronização, certificação e escala industrial. Os próximos passos naturais são ampliar a base de dados, replicar as experiências em diferentes climas e perfis de tráfego, e avançar na normatização técnica para que a solução seja adotada de forma robusta. A colaboração com a Anas já demonstra que é possível realizar testes em trechos reais e gerar evidência prática — elemento crucial para convencer mercados conservadores e operadores públicos.
Em suma, a validação técnica apresentada por Crispino representa uma peça relevante no tabuleiro da transição para infraestruturas mais sustentáveis. É uma notícia positiva para quem busca soluções que combinam performance e responsabilidade ambiental — um exemplo concreto de como a inovação material pode impulsionar o motor da economia civil, sem sacrificar os padrões de segurança e durabilidade exigidos por rodovias e aeroportos.
Stella Ferrari | Economia e Desenvolvimento — Espresso Italia

