Guerra no Oriente Médio redesenha mapas do turismo: Itália e Croácia se beneficiam enquanto Chipre e Turquia sofrem
Guerra no Oriente Médio redireciona turismo: preços caem em Chipre e Turquia; Itália, Croácia e Portugal registram alta na demanda.
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Guerra no Oriente Médio redesenha mapas do turismo: Itália e Croácia se beneficiam enquanto Chipre e Turquia sofrem
Por Stella Ferrari — A guerra no Oriente Médio já imprime efeitos palpáveis no setor de turismo europeu, mas a perda de tração não é uniforme: enquanto destinos do Mediterrâneo oriental registram cancelamentos e queda de preços, outros países colhem uma aceleração de demanda que eleva tarifas e ocupações.
Levantamento do Financial Times e dados da Lighthouse Intelligence mostram que, após o início do conflito, os preços de acomodação em Chipre caíram mais de 12% para estadias em abril e maio em relação à semana anterior ao choque. Em Bodrum, na Turquia, a queda ultrapassou 25%.
Nick Aristou, diretor comercial da Muskita, alerta que o mercado de turismo cipriota pode resistir “a alguma turbulência”, mas apenas se os viajantes retornarem rapidamente. Em minha leitura, como economista de mercado, isto é a prova de que o motor da economia turística responde a choques geopolíticos com a mesma sensibilidade de um sistema de suspensão de alta performance: pequenas falhas podem demandar recalibragem imediata.
Do outro lado do tabuleiro, companhias aéreas e operadores turísticos sinalizam um aumento de procura por destinos considerados mais seguros ou distantes do centro do conflito. A EasyJet — segundo o seu CEO Kenton Jarvis — observa aumento de demanda para as Ilhas Baleares, Canárias e, sobretudo, Capo Verde. Thomas Cook reportou crescimento nas reservas para Portugal e para as Balearias desde o início do conflito, comparado aos dois primeiros meses de 2026.
No portfólio de operadores, o tour operator Kuoni revela que as reservas para as Caraíbas subiram 20% em relação a 2025, enquanto as reservas para a Itália cresceram 55% — um deslocamento claro de fluxos turísticos que beneficia economias que já vinham exibindo resiliência.
Agentes de viagem reportam uma procura intensa por alternativas para as próximas férias escolares: Steve Witt, da agência Not Just Travel, diz que a disponibilidade para a Páscoa e o meio de maio está se esgotando rapidamente em destinos como Portugal, Grécia e Espanha. Esse movimento lembra a estratégia de um piloto que, ao detectar vibração anômala, desloca a rota para garantir segurança e performance.
Em resposta ao recuo de reservas, o Egito revisou incentivos para atrair companhias aéreas, oferecendo um bônus de cerca de US$4.000 por voo com taxa de ocupação de 60% (abaixo do requisito anterior de 75%), conforme relatos de dirigentes do setor. Paralelamente, as companhias aéreas intensificam esforços de comunicação para tranquilizar os consumidores.
As implicações econômicas são claras: a redistribuição da demanda turística altera receitas nacionais, pressiona preços em destinos concorrentes e exige que governos e operadores reajam com políticas e incentivos ágeis — a calibragem correta fará a diferença entre recuperação rápida e desgaste prolongado nesta temporada.
Stella Ferrari — Economia & Desenvolvimento, Espresso Italia