Glen Hansard morre em acidente de moto; vencedor do Oscar por 'Once' tinha 56 anos

Morre Glen Hansard, vencedor do Oscar por 'Once', aos 56 anos em acidente de moto em Dublin. Relembre sua carreira e legado musical.

Glen Hansard morre em acidente de moto; vencedor do Oscar por 'Once' tinha 56 anos

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Glen Hansard morre em acidente de moto; vencedor do Oscar por 'Once' tinha 56 anos

É com um sentimento de perda que atravessa fronteiras que anunciamos a morte do músico e ator Glen Hansard. Segundo comunicado do seu management, Glen Hansard sofreu um acidente de moto em Dublin na manhã de quarta-feira e não resistiu. Tinha 56 anos.

Figura incontornável da música irlandesa nas últimas três décadas, Glen Hansard construiu uma carreira híbrida entre palco e tela — uma trajetória em que a rua, o teatro e o cinema se reencontram. Nascido em Ballymun, na periferia norte de Dublin, em 21 de abril de 1970, começou a tocar ainda jovem, tocando nas ruas da cidade antes de fundar, em 1990, a banda que o projetou nacionalmente: The Frames, um dos grupos mais influentes da cena musical irlandesa.

O reconhecimento internacional acentuou-se com a sua incursão no cinema. Atuou em The Commitments e, sobretudo, protagonizou o filme Once, dirigido por John Carney, ao lado da musicista tcheca Markéta Irglová. Daquelas cenas nasceu a canção que se tornaria um ícone: Falling Slowly, que rendeu a Hansard o prêmio máximo da Academia por melhor canção original. O sucesso de Once transformou uma narrativa íntima sobre música em um verdadeiro espelho do nosso tempo, onde a arte se apresenta como refrão de memórias e desejos.

Além do trabalho com The Frames, Hansard seguiu carreira solo e integrou o duo The Swell Season com Irglová. Lançou álbuns aclamados, incluindo Didn't He Ramble, que recebeu indicação ao Grammy em 2016. Sua obra, ora crua e próxima do chão, ora afiada por arranjos sofisticados, sempre manteve um diálogo direto com a vida urbana e com a memória coletiva da Irlanda.

O comunicado do ATC Management, citado no site oficial do artista, declarou: "É com o coração partido que anunciamos a perda de Glen Hansard, ocorrida nas primeiras horas desta manhã". A repercussão foi imediata: o primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, manifestou profundo pesar e elogiou o contributo cultural de Hansard à cena nacional.

Do ponto de vista humano, Hansard deixa mulher e um filho de três anos. A notícia reabre o roteiro oculto das nossas atenções: a fragilidade que acompanha figuras que parecem maiores do que a vida e, ao mesmo tempo, a permanência das canções que continuam a falar por elas. Em termos sociais e culturais, a perda de Glen Hansard é também um lembrete do lugar que a música ocupa como tecido conector — o eco cultural que resiste mesmo após a última nota.

Enquanto aguardamos informações oficiais sobre velório e homenagens, fica o legado: canções que se tornaram trilhas sonoras pessoais e coletivas, uma voz que passou dos becos de Dublin para os palcos do mundo, e a lembrança de um artista que soube traduzir intimidade em universalidade. O cinema e a música perdem uma voz singular; a cultura irlandesa perde um de seus principais embaixadores.