Onde e cavalli vapore: o livro que revela a história em movimento da Rai
Livro 'Onde e cavalli vapore' revisita os veículos da Rai e sua trajetória desde 1924, entre inovação técnica, histórias humanas e restaurações.
RESUMO ✦
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Onde e cavalli vapore: o livro que revela a história em movimento da Rai
Das primeiras transmissões da Unione Radiofonica Italiana até as tecnologias radiotelevisivas mais avançadas, o livro Onde e cavalli vapore traz um relato visual e técnico sobre o papel central dos veículos da Rai na missão de Serviço Público. Automóveis, furgões, pullman regia, motocicletas e helicópteros que tiraram a informação dos estúdios e a levaram a cada canto do país — transformando eventos, histórias e mudanças sociais em patrimônio comum.
Organizado pela editora Rai Libri e fruto da primeira colaboração entre a Rai e o ASI (Automotoclub Storico Italiano), o volume é assinado por curadores que unem memória institucional e paixão técnica. Entre eles, Tiziana Ribichesu (vice-diretora de comunicação corporativa da Rai), Gino Alberico, Pasquale Alfieri e Roberto Valentini, com prefácio do então diretor-adjunto da Rai, Giampaolo Rossi. Ribichesu resume: “É a narrativa da nossa empresa desde 1924, quando éramos a Uri; a história da Eiar e da Rai contada através dos nossos meios. Fragmentos de um serviço público que, há mais de um século, olha para o futuro sem renegar o passado.”
O livro foi apresentado em Pesaro, durante a mostra “Due ruote tra miti e leggende”, organizada por ASI e pelo município. No pátio dos museus cívicos, duas relíquias da emissora chamam atenção: a Moto Guzzi 850 T3 (1975) e a BMW K100 RT (1995), motocicletas que fizeram as transmissões das etapas do Giro d'Italia na rua. O esporte, como demonstra o volume, foi um laboratório — exigiu veículos ágeis capazes de seguir de perto as façanhas dos grandes atletas.
Nem todos os meios resistiram ao tempo. Um protocolo de entendimento firmado há dois anos entre a Rai e o ASI visa recuperá-los e restaurá-los, como no caso da Fiat 1500 “principessa azzurra”, já plenamente restaurada. Esses automóveis e máquinas, hoje reconhecidos como bens históricos, não são apenas objetos; são espelhos do nosso tempo, moldes que carregam o roteiro oculto das transformações tecnológicas e sociais da Itália.
O texto resgata também as histórias menos conhecidas: os técnicos, operadores, engenheiros e profissionais que, ao longo das décadas, foram os verdadeiros protagonistas por trás das transmissões. Desde os laboratórios do Centro Ricerche, ativos desde a década de 1930, engenheiros imaginaram e, através de experimentações pioneiras, construíram tecnologias que marcaram a evolução do sistema radiotelevisivo italiano.
Há ainda os carroçadores que adaptaram veículos de série, transformando-os em plataformas extraordinárias de comunicação. A narrativa do livro traça, portanto, uma trajetória entre inovação técnica, design e contexto histórico — mostrando como meios móveis tornaram a informação e o entretenimento acessíveis a milhões de cidadãos.
Em suma, Onde e cavalli vapore não é só um catálogo de máquinas; é uma curadoria da memória coletiva da Rai, uma reflexão sobre como meios e mensagens se entrelaçam. Como observadora cultural, vejo neste volume um reframe da realidade: o veículo de transmissão como personagem, a estrada como set e a rádio e televisão como espelhos que nos devolvem o país em movimento.

