Por Chiara Lombardi — A 98ª cerimônia dos Oscars desenhou no Dolby Theatre um novo espelho do nosso tempo: Una battaglia dopo l'altra, de Paul Thomas Anderson, saiu como o grande vencedor, conquistando seis estatuetas, incluindo o cobiçado prêmio de Melhor Filme. A vitória consagra um percurso pessoal e artístico de PTA, que chega aos 55 anos e decide, enfim, fechar um ciclo com Hollywood.
No palco, cercado pelo elenco que fez parte dessa narrativa que mistura ação e fábula política, PTA lembrou com humor: “Agora, prendiamoci un Martini”, e remeteu a um contexto histórico ao citar os filmes indicados em 1975 — entre eles Um Estranho no Ninho — como se o prêmio fosse um frame que conecta gerações. Dedicou a estatueta ao colaborador Adam Somner, falecido em 2024, imaginando-o “num bar enorme lá no céu, tomando um gin tonic”.
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Crédito: La notte degli Oscar 2026 in diretta | Miglior film a «Una battaglia dopo l'altra». Michael B. Jordan batte DiCaprio e Chalamet. Bardem: «No alla guerra e Palestina libera». Omaggi a Reiner, Redford e Keaton — corriere.it
Una battaglia dopo l'altra nasceu antes do retorno de Donald Trump à cena política, mas assume um caráter profético: em uma América que se desloca para distopias cotidianas, o filme acompanha um grupo de revolucionários conhecido como French 75, que organiza ações de guerrilha para libertar imigrantes detidos em campos de prisão. PTA reforçou a separação entre arte e política — “Não sou político, sou cineasta” — e ao mesmo tempo confessou o peso que vê todos os dias no mundo: o roteiro do filme funciona como um espelho e um alerta.

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É também uma vitória industrial: a Warner Bros volta a conquistar o Oscar de Melhor Filme após 2013, quando Argo venceu, num momento em que os grandes estúdios reconfiguram alianças e propriedades.
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No campo das atuações, a noite teve momentos simbólicos. Michael B. Jordan foi consagrado Melhor Ator por sua dupla performance como os irmãos gêmeos Smoke e Stack Moore em Sinners, dirigido por seu amigo Ryan Coogler. Na fala de agradecimento, Jordan evocou suas raízes — o pai que veio de Gana estava na plateia — e reverenciou atores negros que abriram caminhos na Academia: de Sidney Poitier a Denzel Washington, Jamie Foxx, Forest Whitaker e Will Smith. Sua vitória é também um ponto de inflexão na longa narrativa da representatividade em Hollywood.

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Além dos prêmios principais, a cerimônia foi marcada por discursos que extrapolaram os aplausos. Javier Bardem usou seu momento para uma declaração incisiva: “No alla guerra e Palestina libera”, lançando no palco uma posição política que reverberou entre plateia e público global. A noite também reservou homenagens a figuras icônicas — lembranças emocionadas a Robert Reiner, Robert Redford e Michael Keaton — como se a festa recuperasse pedaços do passado cinematográfico em um único enquadramento.

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O saldo dos Oscars 2026, então, é um misto de reavaliação histórica e espanto estético: filmes que dialogam com a geopolítica contemporânea, performances que reescrevem trajetórias e estúdios que se reposicionam no tabuleiro global. Mais do que um inventário de vitórias, a cerimônia revelou o roteiro oculto da sociedade e seu eco cultural — onde a ficção e a memória coletiva se encontram para reformatar o presente.

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Ao final, entre brindes e agradecimentos, permaneceu a sensação de que o cinema continua sendo, como sempre, um lugar onde se projetam medos, esperanças e as possibilidades de reescrita do real.
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