Pippo Baudo faria 90 anos: a homenagem da Rai ao maestro da televisão italiana

Rai1 exibe tributo a Pippo Baudo no que teria sido seu 90º aniversário, reunindo os melhores momentos de Domenica in e sua influência na televisão italiana.

Pippo Baudo faria 90 anos: a homenagem da Rai ao maestro da televisão italiana

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Pippo Baudo faria 90 anos: a homenagem da Rai ao maestro da televisão italiana

Era 7 de junho de 1936 quando, em Militello in Val di Catania, nasceu Pippo Baudo, figura monumental do entretenimento italiano. Em memória desse aniversário — e da sua contribuição irreparável — a Rai preparou um tributo: um montado com os melhores momentos das edições de Domenica in conduzidas por ele, que será exibido pela Rai1 na reta final da temporada 2025-2026 do programa apresentado por Mara Venier.

O gesto televisivo é mais que uma retrospectiva: é um espelho do nosso tempo. A presença de Pippo Baudo na história da televisão italiana não se limita a um elenco de programas de sucesso, mas a um roteiro que ajudou a moldar a própria identidade do meio, ao lado de colegas como Corrado, Mike Bongiorno, Enzo Tortora e Raimondo Vianello.

Entre os títulos que marcaram sua carreira estão Settevoci, Canzonissima, Senza rete, Domenica in, Fantastico, Papaveri e papere e Mille lire al mese. Além disso, Baudo assinou 13 edições do Festival di Sanremo, o evento que Carlo Conti definiu, ao apresentar as últimas edições, como “baudiano” — uma alcunha que traduz o caráter formativo e o estilo que marcou gerações.

Chamado carinhosamente de Superpippo pela imprensa, Baudo foi mais que apresentador: foi arquiteto do pequeno ecrã. Sua paixão pela televisão o sustentou em momentos de crise — lembrando, por exemplo, a controvérsia de 1987, quando o então presidente da Rai o rotulou de “nazional popolare”, uma crítica que, na verdade, reconhecia seu poder de aproximação com o público. Esse estilo tornou-se referência e legado.

Limitar Baudo à TV seria injusto. Sua trajetória atravessou rádio, música, cinema — com participações nos musicarelli da década de 1960, como Zum Zum Zum e Il suo nome è Donna Rosa — e teatro, onde exerceu cargos importantes, inclusive como diretor artístico e presidente do Teatro Stabile di Catania. Foi também um notável talent scout, responsável por lançar nomes hoje essenciais na cultura popular: Andrea Bocelli, Heather Parisi, Laura Pausini, Eros Ramazzotti, Lorella Cuccarini, Michelle Hunziker, Beppe Grillo e Loretta Goggi, entre outros.

No campo pessoal, Baudo casou-se com Katia Ricciarelli em 1986, união que terminou 18 anos depois. Antes, havia sido casado com Angela Lippi, com quem teve a filha Tiziana, e foi pai de Alessandro, fruto do relacionamento com Mirella Adinolfi. Teve ainda uma relação marcante com Alida Chelli. E, em meia vida pública e privada, transitou por momentos na Fininvest, experiências curtas que não apagaram sua identificação com a Rai, emissora à qual dedicou grande parte da carreira.

Ao rever as imagens de Domenica in e outros programas, a homenagem da Rai não celebra apenas um apresentador, mas o roteiro oculto de uma época: as mudanças estéticas e sociais, as vozes que surgiram no palco, e o modo como a televisão se tornou espelho e palco das transformações italianas. Em tempos de atenção fragmentada, o tributo é um convite a reler o passado e entender como figuras como Baudo ajudaram a compor o idioma audiovisual que ainda hoje reconhecemos.

Este tributo, no dia do que teria sido seu 90º aniversário, oferece ao público a possibilidade de revisitar momentos em que a televisão era, literalmente, esperança e encontro — e de refletir sobre o legado de alguém que fez do entretenimento uma forma de escrita cultural.