Stephen Colbert encerra seu Late Show com Paul McCartney cantando “Hello Goodbye” no Ed Sullivan Theater
Paul McCartney e Stephen Colbert encerram o Late Show no Ed Sullivan Theater com 'Hello Goodbye' e um gesto simbólico ao apagar as luzes.
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Stephen Colbert encerra seu Late Show com Paul McCartney cantando “Hello Goodbye” no Ed Sullivan Theater
Em uma noite que soou como um epílogo cuidadosamente coreografado entre memória e espetáculo, Stephen Colbert fechou as cortinas do seu Late Show acompanhado por ninguém menos que Paul McCartney. O músico britânico subiu ao palco do histórico Ed Sullivan Theater para um final carregado de simbolismo: junto a Colbert, Elvis Costello, Jon Batiste e Louis Cato, McCartney liderou a interpretação de "Hello Goodbye", cercado pela banda do programa e pelo staff que ocupou o palco como um coro humano de despedida.
O clímax ocorreu fora das luzes e dos takes: em imagens de bastidores exibidas durante o programa, Colbert conduziu McCartney até os painéis elétricos do teatro e o convidou a acionar um interruptor que, numa ação deliberadamente simbólica, mergulhou o edifício na escuridão. O gesto, ao mesmo tempo prático e poético, transformou o teatro em um “portão interdimensional” — uma referência recorrente no show, inclusive já rematada em momentos com figuras como Neil deGrasse Tyson — e atuou como metáfora visual para o fechamento de um ciclo televisivo.
Durante a conversa final, McCartney relembrou a histórica estreia dos Beatles no mesmo palco: “Não tínhamos estado nunca na América. Sabíamos que era o programa mais importante, mesmo que, como ingleses, não conhecêssemos totalmente o alcance cultural que teria”. A aparição dos Beatles no The Ed Sullivan Show em 9 de fevereiro de 1964 é, até hoje, um dos pilares da chamada Beatlesmania: cerca de 73 milhões de americanos assistiram àquele episódio, quase metade da população dos EUA na época.
Ao optar por evitar discursos políticos, a última transmissão do Late Show escolheu a celebração — um repertório de convidados e momentos que funcionaram como um espelho afetivo desse tempo de tela. Entre os nomes que subiram ao palco para os segmentos de despedida estiveram Bryan Cranston, Paul Rudd e Ryan Reynolds; colegas e concorrentes nos late shows como Jimmy Fallon, Jimmy Kimmel, Seth Meyers e John Oliver também apareceram para os cumprimentos finais.
O Ed Sullivan Theater, inaugurado em 1927 como Hammerstein’s Theatre e consagrado pela presença de Ed Sullivan, David Letterman e, mais recentemente, Colbert, fica agora sem um programa fixo. A CBS ainda não anunciou qual será o futuro daquele espaço emblemático de Broadway — um detalhe que deixa o fechamento do programa com uma ponta de incerteza histórica, digna de roteiro.
Mais que o fim de uma atração televisiva, o ato de apagar as luzes ofereceu uma imagem potente: o teatro como câmera de eco cultural, o interruptor como cifra de passagem. Em tempos de fluxo infinito e reinvenções digitais, ver um ícone como Paul McCartney desligar as luzes é também testemunhar o fechamento físico de um palco que abrigou grande parte da memória pop do século XX — um pequeno rito de passagem que nos lembra que, no roteiro oculto da sociedade, alguns atos preservam a elegância da despedida.