Veneza 83: Ashley St. Clair diz que Musk ofereceu 40 milhões pelo silêncio em documentário de Alex Gibney

Ashley St. Clair afirma que Musk ofereceu 40 milhões pelo silêncio; depoimento ganha destaque no documentário de Alex Gibney apresentado em Veneza.

Veneza 83: Ashley St. Clair diz que Musk ofereceu 40 milhões pelo silêncio em documentário de Alex Gibney

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Veneza 83: Ashley St. Clair diz que Musk ofereceu 40 milhões pelo silêncio em documentário de Alex Gibney

"Me ofereceram 40 milhões de dólares em troca do meu silêncio. Percebi então o poder que tinham as coisas que eu podia contar. Queria dar um exemplo aos meus filhos: mostrar que nunca se deve ter vergonha de dizer a verdade". Com essa afirmação direta, Ashley St. Clair — antiga influenciadora conservadora americana e ex-parceira de Elon Musk — virou uma das vozes centrais do novo documentário de Alex Gibney, apresentado fora de concurso na 83ª Mostra de Veneza.

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Em coletiva, questionada sobre quem teria feito a proposta, St. Clair respondeu que a oferta foi transmitida "através de Jared Birchall (CEO da Neuralink) por conta dele". Não se trata de uma novidade na narrativa pública: nos meses recentes ela já relatara ter recusado um acordo de não divulgação relativo ao relacionamento com Musk e ao nascimento do filho do casal. Em entrevistas anteriores, descreveu a proposta como um pagamento inicial de cerca de 15 milhões de dólares, mais uma renda mensal de aproximadamente 100 mil dólares por vinte anos — uma soma que, segundo sua versão, chegaria próxima dos 40 milhões.

O cineasta premiado com o Oscar, Alex Gibney, dedicou cerca de quatro horas a dissecar a figura do magnata: um empresário que virou personagem central da política e da economia contemporânea e, simultaneamente, alvo de controvérsias privadas e processos judiciais. Gibney disse ter buscado desconstruir o relato quase hagiográfico que frequentemente cerca Musk, olhando-o por diferentes lentes e reunindo depoimentos de quem conviveu ou trabalhou com ele. O documentário não contou com a participação direta do bilionário; Musk recusou entrevistas e qualificou o projeto como um "hit piece". Gibney, por sua vez, afirma ter perseguido uma análise do crescente poder econômico e político que o empresário exerce.

O episódio com St. Clair ganhou nova centralidade no contexto de litígios mais amplos: em janeiro de 2026 ela processou a empresa de inteligência artificial xAI, fundada por Musk, alegando que o sistema Grok havia gerado e divulgado imagens sexualmente explícitas e não consensuais que a retratavam. Reportagens do Financial Times acompanharam o caso e o subsequente contencioso entre St. Clair e companhias vinculadas ao empresário. Paralelamente, sociedades associadas a Musk moveram ação contra St. Clair no Texas; o processo figura na Corte Distrital Federal do Northern District of Texas e ainda está pendente.

O conflito ultrapassa a esfera privada e se transforma em um espelho do nosso tempo: da paternidade econômica às disputas contratuais, passando pela circulação digital de imagens e pela autoridade midiática. Como em um roteiro cuidadosamente cortado, o documentário revela não apenas acusações e defesas, mas o modo como o poder privado se entrelaça com as narrativas públicas — o que torna a obra de Gibney uma espécie de reframe da realidade contemporânea.

Independentemente dos desdobramentos judiciais, a fala de Ashley St. Clair na Mostra de Veneza reacende perguntas essenciais sobre silêncio, proteção de reputações e os mecanismos que regulam — ou tentam silenciar — vozes dissidentes diante de fortunas colossais. É um eco cultural que nos pede atenção: quando o dinheiro entra em cena, qual é o preço da verdade?

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