Coreia do Sul vira e derrota República Tcheca por 2-1 na estreia da Copa em Guadalajara
Coreia do Sul vira para 2-1 sobre a República Tcheca na estreia da Copa em Guadalajara; Hwang In-Beom e Hyeon-Gyu Oh marcam a virada.
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Coreia do Sul vira e derrota República Tcheca por 2-1 na estreia da Copa em Guadalajara
Por Otávio Marchesini, Espresso Italia — No Estádio Akron, em Guadalajara, a Coreia do Sul confirmou nesta sexta-feira um triunfo que diz muito sobre sua identidade competitiva: após sair atrás no placar, virou a partida contra a República Tcheca e venceu por 2-1 na estreia de ambos os times na Copa do Mundo. O jogo, segunda partida do Grupo A — no qual o México já havia batido a África do Sul — revelou tanto variações táticas quanto traços culturais que orientam o futebol sul-coreano.
Os dois treinadores, Hong Myung-bo e Miroslav Koubek, alinharam esquemas próximos, com defesa a três e meio-campo formado por quatro jogadores, uma leitura moderna que buscava equilíbrio entre compactação e transição. No primeiro tempo, a impressão foi de domínio inicial dos asiáticos: o capitão e referência ofensiva Son Heung-min foi protagonista das melhores chances, mas não conseguiu convertê-las — em uma situação finalizou por cima, em outra não conseguiu o contato ideal com a bola.
O desenrolar mudou aos 59 minutos, quando a República Tcheca aproveitou uma jogada de bola parada de dois ângulos: Coutfal (Coufal) cobrou uma rápida rimesa lateral para o coração da área, e o capitão Krejci impôs seu poder aéreo para inaugurar o placar. O gol tcheco, fruto de detalhe e leitura posicional, parecia punir a Coreia por desperdícios anteriores. Ainda assim, a reação coreana não tardou.
Na etapa final, a partida expôs as virtudes sul-coreanas: organização, aplicação coletiva e capacidade técnica para variações rápidas. O empate veio com um jogador que sintetiza essas qualidades: Hwang In-Beom — autor do primeiro gol coreano — demonstrou toque refinado e leitura de espaço nas ações decisivas. Em seguida, a virada foi consolidada por Hyeon-Gyu Oh, que aproveitou uma transição para definir o placar em 2-1, premiando a persistência e a qualidade individual inserida num coletivo funcional.
O goleiro tcheco Kovar ainda teve intervenções importantes e evitou que a vitória sul-coreana fosse mais tranquila, mas faltou à República Tcheca a continuidade ofensiva que o primeiro gol prometia. Para a Coreia, tratar-se de uma estreia assimétrica — colocando técnica e resistência mental em evidência — confirma caminhos que o país vem trilhando desde os anos 2000: investimento em formação, profissionais que assimilam táticas contemporâneas e jogadores com experiência europeia.
Além do resultado, a partida respondeu a questões maiores: que leitura tática prevalece no futebol asiático diante de modelos europeus; como seleções com elencos menos midiáticos conseguem traduzir preparação e coesão em resultado; e de que forma a vitória em um palco como Guadalajara pode ressonar para uma torcida que espera consistência em fases finais. A Coreia sai do primeiro teste com três pontos e a reafirmação de que, mais que favoritismos momentâneos, seu futebol tem uma narrativa própria — entre técnica, disciplina e uma ambição que se conecta com memória (lembranças de campanhas marcantes no passado) e projeto futuro.
O próximo desafio do Grupo A trará novos sinais sobre as possibilidades de cada seleção, mas hoje ficou claro que a Coreia do Sul tem recursos para transformar adversidades em vitórias — e que, no futebol contemporâneo, isso continua sendo tão político quanto esportivo: um reflexo de investimentos, estratégias e identidades coletivas.