Juventus em reviravolta: Comolli sai e pode começar a era Carnevali

Juventus demite Comolli e sinaliza contratação de Giovanni Carnevali, ex-Sassuolo; mudança mira reconstrução estratégica após temporada frustrante.

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Juventus em reviravolta: Comolli sai e pode começar a era Carnevali

Turim — A Juventus vira a página: depois de uma temporada frustrante que culminou com o sexto lugar e a ausência da Liga dos Campeões, o clube confirmou a saída de Damien Comolli do cargo executivo. A decisão, que chega 18 dias após o dérbi contra o Torino — a última partida com Comolli em posição diretiva — abre caminho para a possível chegada de Giovanni Carnevali, hoje à frente do Sassuolo.

Os sinais dessa mudança já vinham sendo sentidos nos corredores da Continassa. Fontes internas e observadores do mercado explicavam, nos últimos meses, um clima tenso nas relações entre a direção e a equipa técnica, com episódios de atrito envolvendo o treinador Luciano Spalletti. A saída de Comolli representa — para muitos — o reconhecimento de que a aposta técnica e desportiva exigirá uma nova arquitetura diretiva.

Carnevali, apontado como o mais provável substituto, traz um currículo que combina persistência e capacidade de gestão em contexto restrito: comandou o Sassuolo em 11 das últimas 12 temporadas na Serie A (com a exceção da descida em 2023/24 seguida de subida imediata) e conduziu o clube a uma participação na Europa League em 2015/16. O seu trabalho é muitas vezes descrito como um “milagre” pela habilidade em manter um clube de projeção regional competitivo contra forças financeiras superiores.

Do ponto de vista estrutural, a possível investidura de Carnevali sinalizaria uma mudança de paradigma para a Juventus: menos foco em decisões à francesa e maior aposta em uma gestão italiana, que privilegia a estabilidade a médio prazo, o aproveitamento da formação e relações consolidadas no mercado nacional. Não se trata apenas de trocar nomes, mas de reconfigurar o método de trabalho numa instituição que, nas últimas décadas, oscilou entre o sucesso continental e crises internas.

Os desafios são claros. A Juventus terá de redefinir um projeto desportivo capaz de recuperar a vaga na Liga dos Campeões, simultaneamente lidando com as exigências financeiras e a pressão de uma torcida que vive uma crise de expectativas. Carnevali conhece a realidade do futebol italiano e a lógica de clubes com orçamentos limitados — um capital simbólico valioso num momento em que estratégia e prudência são prioridades.

Para além do campo, a troca de comando toca questões mais amplas: identidade do clube, relação com a torcida e com a cidade de Turim, e a capacidade de resistir ao ciclo de decisões imediatistas que tantas vezes comprometeu projetos a longo prazo. A chegada de um gestor como Carnevali seria um teste de maturidade para a Juventus — se optará por uma reconstrução serena ou por atalhos que prometem retorno rápido mas incerto.

Nos próximos dias espera-se a formalização do movimento e os primeiros contornos do novo organograma. O mercado de transferências e a composição do plantel serão os primeiros terrenos em que a nova direção será avaliada. Para um clube da dimensão da Juventus, a mudança não é apenas uma notícia: é um momento de recalibração institucional que pode reverberar no futebol italiano e europeu.

Assina: Otávio Marchesini, repórter de esportes da Espresso Italia — atento ao jogo que o futebol faz com a história e com a sociedade.