Fifa contra-ataque: acusações de campanha da Uefa para influenciar eleições de 2027
Fifa acusa Uefa de campanha para influenciar eleições de 2027 e discute o polêmico projeto Fifa Forward Enterprise e aumento de fundos para federações.
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Fifa contra-ataque: acusações de campanha da Uefa para influenciar eleições de 2027
Um novo capítulo da disputa entre Fifa e Uefa ganhou forma nas últimas horas, com implicações que vão além de uma mera batalha institucional: trata-se de uma disputa pelo controle narrativo em vista das eleições presidenciais da federação mundial, agendadas para 2027. A Fifa encaminhou ao tribunal da Flórida uma carta — tornada pública — em que acusa a Uefa de promover uma "campanha de desinformação" dirigida a minar a imagem do presidente Gianni Infantino, utilizando como pretexto o projeto Fifa Forward Enterprise (FFE), posteriormente abandonado.
Na petição, a Fifa pede que a justiça americana rejeite a solicitação da Uefa por documentos relacionados ao projeto. Segundo a federação mundial, a iniciativa europeia não buscaria apenas esclarecimento documental, mas teria como objetivo interferir no processo político-interno da organização global, influenciando a opinião pública antes das eleições de 2027. "Sem qualquer fundamento, a Uefa sugere que Infantino tenha procurado ganhos pessoais", afirma a carta citada pela federação.
O ponto de tensão é, de fato, o plano Fifa Forward Enterprise, que previa, em linhas gerais, o ingresso de investidores privados na gestão comercial de direitos associados à Copa do Mundo. A proposta foi apresentada pela Fifa, suscitou reações fortes na Europa e acabou arquivada após resistência explícita da Uefa e de grandes federações nacionais — algumas chegaram a ameaçar boicotes a competições organizadas pela Fifa, inclusive o Mundial de Clubes, caso o projeto prosseguisse. Diante das pressões, o plano foi deixado de lado.
Além da disputa processual, o caso abre uma frente política concreta: a Fifa acusa que a solicitação de documentos foi feita justamente na antevéspera de um ciclo eleitoral, contribuindo para a circulação de informações potencialmente enganosas sobre a direção da federação. Por isso, a federação mundial pede ao tribunal que impeça "qualquer tentativa de influenciar as próximas eleições presidenciais".
Em paralelo, Gianni Infantino tem buscado deslocar o foco para a política de financiamento da entidade. Em carta às seis confederações continentais — vista pela BBC — o presidente da Fifa falou em ampliar a parcela das reservas financeiras destinada às 211 federações filiadas. A Fifa dispõe de reservas líquidas estimadas em cerca de 4,4 bilhões de libras, aproximadamente 5,1 bilhões de euros.
Propostas vindas da Uefa e da Concacaf pleiteiam a utilização de parte dessas reservas para liberar US$ 10 milhões (cerca de €8,5 milhões) por federação. A sugestão será avaliada pelo Conselho da Fifa na reunião marcada para 15 de outubro. Na mesma carta, Infantino não fixou valores precisos, afirmando que apoiaria "o nível máximo de financiamento adicional que possa ser concedido de forma responsável".
Como analista e observador histórico do esporte, é preciso entender esse episódio não só como um litígio jurídico, mas como um episódio simbólico da luta por influência entre centro e periferia do poder do futebol. A Uefa, concentrando grande parte da receita e do prestígio futebolístico europeu, age para preservar prerrogativas e modelos de governança; a Fifa, por seu turno, projeta um alcance global que passa por alternativas financeiras e parcerias comerciais. A tensão entre estes vetores revelará, nos próximos meses, muito sobre a distribuição de poder no futebol mundial e sobre como se negociam recursos, autonomia e legitimidade institucional à sombra das eleições de 2027.

