Mais dinheiro e menos suspensões: Fifa define mudanças para o Mundial enquanto a participação do Irã provoca tensão

Fifa propõe mais verba e redução de suspensões para o Mundial; participação do Irã gera tensão diplomática e debate sobre vistos e legitimidade.

Mais dinheiro e menos suspensões: Fifa define mudanças para o Mundial enquanto a participação do Irã provoca tensão

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Mais dinheiro e menos suspensões: Fifa define mudanças para o Mundial enquanto a participação do Irã provoca tensão

Por Otávio Marchesini, Espresso Italia — Em pauta no Conselho da Fifa reunido em Vancouver, duas medidas pragmáticas ganham forma: aumento das verbas destinadas às seleções participantes e uma revisão das sanções disciplinares para reduzir o número de desfalques em fases decisivas do torneio. Essas modificações chegam a 45 dias do início da Coppa del Mondo e representam mais do que ajustes técnicos; são decisões que refletem escolhas sobre competitividade, espetáculo e economia do futebol global.

Segundo relatos oficiais, a federação pretende, de um lado, elevar a fatia de premiação destinada às equipes, reforçando o argumento financeiro que envolve a logística de preparação e o impacto direto nas federações nacionais. Do outro, há consenso para atenuar a rigidez disciplinar: os chamados acúmulos de cartões amarelos serão zerados em dois momentos-chave — após a fase de grupos e novamente depois das quartas de final — com o objetivo declarado de reduzir suspensões em oitavas e semifinais. Em termos práticos, trata-se de priorizar o espetáculo nas fases do mata-mata e diminuir a influência de punições menores sobre a competitividade das partidas.

Contudo, fora das salas do congresso, a reunião traz outra sombra: a polêmica em torno da participação do Irã. A presença da seleção iraniana no Mundial tem causado debate político e diplomático. O jornal Iran International, exilado em Londres, noticia que em Vancouver compareceu o presidente da federação iraniana, Mehdi Taj, que teria recebido um visto temporário das autoridades canadenses. Fontes oposicionistas sustentam que Taj foi ligado — no passado — a setores de inteligência das Guardiãs da Revolução, informação que acrescenta tensão às conversas sobre autorizações de entrada e segurança.

Essa disputa assume dimensão prática quando se pensa nas diferenças de política migratória entre Canadá e Estados Unidos: dificilmente se pode presumir que os acompanhantes do Irã terão a mesma facilidade de acesso ao território americano quando o Mundial estiver em solo dos EUA. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, reiterou que a seleção asiática conquistou a vaga sul campo e que, portanto, disputará o torneio — postura que tenta separar mérito esportivo de contestações políticas. Infantino chegou a visitar a equipe em Antalya, na Turquia, antes de partidas em terreno neutro, gesto que tem valor simbólico na órbita da diplomacia esportiva.

Do outro lado do tabuleiro, relatos dão conta de pressões externas: Paolo Zampolli, descrito nos noticiários como enviado especial do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, teria proposto — segundo suas declarações — uma substituição do Irã pela Itália, posição que reflete a interseção desconfortável entre interesses políticos e o calendário do futebol. É uma proposta que, além de juridicamente improvável, ignora o critério desportivo que sustenta a participação nas Copas.

O que se vê, portanto, é um episódio típico do futebol contemporâneo: decisões administrativas sobre premiação e disciplina cruzam-se com dilemas de política internacional. Mais do que assegurar um torneio mais competitivo, a Fifa terá de gerenciar as tensões diplomáticas e as percepções públicas sobre legitimidade e segurança — tarefas que exigem habilidade institucional tão grande quanto qualquer tática de campo.