Sinner busca record histórico: pode alcançar 32 vitórias consecutivas nos Masters 1000

Jannik Sinner pode fazer história em Roma: busca 32 vitórias consecutivas nos Masters 1000 e tenta superar Djokovic com vitória sobre Rublev.

Sinner busca record histórico: pode alcançar 32 vitórias consecutivas nos Masters 1000

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Sinner busca record histórico: pode alcançar 32 vitórias consecutivas nos Masters 1000

Por Otávio Marchesini, repórter de Esportes da Espresso Italia.

Hoje, nos quartos de final dos Internazionali d'Italia, Jannik Sinner tem diante de si a chance de transformar uma sequência notável em um marco inédito: alcançar 32 vitórias consecutivas em torneios da categoria Masters 1000. O talento alto-atesino já igualou, com 31 triunfos seguidos, a série que Novak Djokovic alcançou em 2011, mas ninguém na história chegou a 32. A possibilidade ocorre justamente no '1000' de casa, em Roma, um cenário que confere dimensão simbólica à busca de Sinner pelo único título de Masters que ainda falta em sua galeria.

Os números que sustentam essa corrida não são mera retórica. Sinner segue invicto em Masters 1000 nesta temporada e ostenta um rastro de vitórias que começou em Indian Wells: venceu as últimas 26 partidas desde então no circuito desses torneios. Além disso, no balanço das últimas três temporadas, o italiano soma um impressionante 23-2 contra adversários do Top 20, quando excluímos Carlos Alcaraz desse recorte.

Há, contudo, nuances que relativizam a trajetória. Em Montreal 2024, foi exatamente Andrej Rublev quem interrompeu uma sequência de Sinner, derrotando-o nas quartas quando o russo ocupava a 8ª posição do ranking. Desde então, o retrospecto do italiano contra jogadores do Top 10 apresenta um desvio: o parcial é de 1-12, com a vitória solitária sobre Alex De Minaur nos quartos do ATP 500 de Doha 2025 — torneio que Sinner também conquistou.

Esses números falam de duas verdades simultâneas: da consistência rara de Sinner nos Masters e da dificuldade que ele ainda encontra em certa elite do circuito. O que está em jogo em Roma não é apenas um recorde estatístico; é um sinal de maturidade competitiva, um indício de que a carreira de Sinner pode furar a barreira que separa o vencedor frequente do vencedor de marcos históricos.

Do ponto de vista cultural e esportivo italiano, a figura de Sinner tem um duplo papel. Representa a emergência contínua do tênis italiano no cenário mundial e, ao mesmo tempo, carrega a expectativa de que um jogador da nova geração consolide a presença do país entre os protagonistas das grandes decisões. Vencer em Roma, diante de um público que associa o torneio a uma tradição quase sacral, teria um efeito simbólico equivalente a escrever uma página adicional na memória coletiva do esporte italiano.

Paralelamente a essa narrativa sobre Sinner, a relação com Carlos Alcaraz desenha outro capítulo relevante do tênis contemporâneo: rivalidade intensa sem animosidade. Alcaraz, em entrevista concedida antes de anunciar a renúncia ao Masters 1000 de Madrid, descreveu esse vínculo com Sinner como uma convivência que os impulsiona mutuamente. A afirmação ganha relevo neste momento em que o espanhol, já fora de Madrid, encontra-se forçado a abrir mão também dos Internazionali d'Italia e do Roland Garros por um problema no punho.

Em resumo: quando Sinner entrar em quadra contra Rublev, não estará apenas à procura de mais um triunfo. Estará medindo a possibilidade de ultrapassar uma marca histórica, de redefinir sua trajetória nos torneios mais importantes fora dos Grand Slams e de dar ao tênis italiano um novo motivo de orgulho. Como repórter e analista, acompanho essa partida com a atenção de quem vê no esporte um reflexo de estruturas maiores — de formação, de expectativas sociais e de identidade nacional. A quadra em Roma será, por algumas horas, um termômetro desses processos.