Benicio del Toro relembra ganho rápido de peso por 'Medo e Delírio': 16 donuts por dia e três meses para se recuperar
Benicio del Toro relembra ter ganhado 18 kg com 16 donuts/dia por 'Medo e Delírio' e diz ter levado 3 meses para recuperar o corpo; hoje preza preparo sustentável.
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Benicio del Toro relembra ganho rápido de peso por 'Medo e Delírio': 16 donuts por dia e três meses para se recuperar
Por Francesca Montelupo — Há gestos na vida de um ator que lembram receitas exageradas: ingredientes intensos, fogo alto, e depois a paciência exigida para equilibrar sabores. Benicio del Toro, nome que carrego aqui com a reverência de quem conhece a cozinha das memórias, abriu há anos uma porta sobre uma experiência que cheira a açúcar e a lição.
Enquanto o mundo já prepara o colo à espera do Oscar 2026 — a 98ª edição será na noite entre 15 e 16 de março de 2026, no Dolby Theatre de Los Angeles —, Del Toro volta a ser notícia por outro capítulo de sua carreira: o ator porto-riquenho, vencedor do Oscar por Traffic (2001) e hoje indicado ao prêmio de melhor ator coadjuvante por seu papel como Sensei Sergio St. Carlos em Uma batalha depois da outra (One Battle After Another), recordou a transformação extrema que viveu em 1998 para entrar no Dr. Gonzo de Medo e Delírio em Las Vegas (Fear and Loathing in Las Vegas).
Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, ele contou, com a franqueza de quem relata uma receita mal calculada: “Continuei a comer 16 donuts por dia, todos os dias, por oito semanas. Engordei 18 kg em dois meses — de forma rápida e, realmente, estúpida. Depois, levou pelo menos três meses para me livrar daquele peso”. Essas palavras têm a textura de um doce que se fez amargo: uma escolha de set que, longe de ser apenas estética, deixou cicatrizes na carreira e na percepção pública do ator.
Na sequência que se seguiu ao filme cult, Del Toro relata ter sido rotulado por casting directors e pela imprensa: aquele corpo passou a ser sinônimo, errôneo, de “fora de forma” ou mesmo de problemas pessoais. É como se uma panela de um prato tivesse sido tampada de repente e a fumaça tivesse marcado a cozinha inteira.
Hoje, porém, ele segue outro roteiro. Aprendeu que transformações “à moda antiga”, sem o amparo de profissionais de nutrição e preparação física, não cabem mais em sua prática. Prefere agora um trabalho calibrado, que respeita o tempo de maturação do corpo — como apuramos um molho ao fogo baixo — e coloca a saúde como ingrediente essencial à performance. Em entrevistas anteriores, chegou a dizer que a atividade física é “um primo da arte”: disciplina que alimenta a criação, mas que não pode ser o fim em si.
Recordar esse episódio é também lembrar que a carreira é feita de escolhas que, mesmo dramáticas, nos ensinam a cozinhar melhor o futuro. Em 2026, enquanto seu nome volta a circundar a mesa das premiações, fica o relato como aviso e memória: o trabalho do ator pede entrega, mas também o respeito ao corpo que conta a história.


