Ataque a South Pars: complexos de gás iraniano atingidos; Teerã promete retaliação após morte do ministro da Inteligência
Refinarias ligadas a South Pars são atingidas; Teerã promete retaliação após morte do ministro da Inteligência Esmail Khatib.
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Ataque a South Pars: complexos de gás iraniano atingidos; Teerã promete retaliação após morte do ministro da Inteligência
Por Marco Severini — Em um movimento decisivo no tabuleiro geopolítico do Golfo, refinarias estatais em Asaluyeh, província meridional do Irã, foram atingidas por um ataque atribuído a Israel. As instalações afetadas incluem tanques e áreas de armazenamento ligadas ao vasto campo offshore South Pars, pivô da infraestrutura energética iraniana.
De prontidão, Teerã declarou que não deixará o episódio impune, qualificando-o como um “crime de guerra” que exigirá retaliação. Os paramilitares dos Pasdaran chegaram a advertir que as operações poderiam se estender às refinarias e instalações energéticas em países do Golfo, citando explicitamente Arábia Saudita, Qatar e Emirados Árabes Unidos como potenciais alvos para sanções de força.
O ataque provocou reações de condenação na região: o Qatar classificou a ação como “perigosa e irresponsável”, enquanto os Emirados Árabes Unidos a leram como uma ameaça à segurança energética global. A tônica é de crescente preocupação com um possível redesenho das rotas e da estabilidade energética — um problema que tem implicações diretas sobre mercados e alianças estratégicas.
No front político-militar, os acontecimentos tomaram um caráter ainda mais escalado: após a morte de figuras como Ali Larijani e Gholamreza Soleimani, o ministro israelense da Defesa, Israel Katz, afirmou ter sido eliminado também o ministro da Inteligência iraniano, Esmail Khatib. A morte destas lideranças acendeu mensagens de ódio e vingança em Teerã: Mojtaba Khamenei, em uma declaração publicada via canal Telegram, afirmou que “cada gota de sangue terá um preço que seus assassinos logo pagarão”. Não houve aparição pública ou gravação de voz do novo líder supremo; a comunicação se deu por meio de canais oficiais e alinhados.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Ghalibaf, advertiu que um “novo nível de confronto” se abriu, evocando a lógica de “olho por olho”. Essa retórica, associada às movimentações militares recentes, evidencia a tectônica de poder que agora se desloca para um ponto de tensão elevado.
No terreno, a sequência de ataques incluiu bombardeios iranianos contra a área de Tel Aviv: durante a madrugada um ataque com projéteis atingiu Ramat Gan, provocando o colapso do teto de um prédio residencial. Duas pessoas, um homem e uma mulher na casa dos 70 anos, morreram enquanto dormiam; inicialmente constavam como gravemente feridas. As forças de segurança israelenses relataram que a dupla não havia se deslocado para abrigo ao soar o alerta.
Os Guardians da Revolução (IRGC) justificaram ataques contra alvos israelenses como atos de vingança pelo assassinato de autoridades iranianas, incluindo Larijani. O general Amir Hatami declarou que “o sangue puro dos martírios será vingado”, em uma linguagem que contribui para a escalada retórica e operacional.
Além disso, projéteis e drones atingiram territórios em Arábia Saudita e no Kuwait, segundo relatos oficiais dos dois Estados do Golfo. Em paralelo, a Suécia denunciou que um cidadão sueco foi executado no Irã, ampliando o leque de preocupações diplomáticas internacionais.
Em suma, estamos diante de um redimensionamento das frentes de conflito e de uma reconfiguração das alianças energéticas e militares no Golfo — um contexto em que cada lance no tabuleiro pode compelir respostas rápidas e desproporcionais. A estabilidade regional assenta-se sobre alicerces frágeis; as próximas horas e dias serão decisivos para avaliar se a crise se cristaliza em um novo patamar de confronto ou se as linhas de contenção diplomática — apesar de rachadas — conseguirão evitar um colapso maior.


