Crosetto: acordo sobre bases com os EUA não significa estar em guerra
Crosetto afirma que o acordo sobre o uso de bases com os EUA não equivale a guerra; reafirma compromisso legal e estabilidade estratégica da Itália.
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Crosetto: acordo sobre bases com os EUA não significa estar em guerra
Por Marco Severini — Em tom sóbrio e com vocação de estrategista do tabuleiro internacional, o ministro da Defesa Guido Crosetto esclareceu, em informativa urgente ao governo, que o entendimento sobre o uso de bases militares em solo italiano por parte das forças dos EUA "não significa estar em guerra, mas cumprir compromissos".
Na exposição, o ministro delineou a continuidade histórica do pacto: são "mais de 75 anos" de aplicação coerente do acordo, sem que qualquer governo — de qualquer matiz político — tenha proposto sua revisão substancial ou a desvinculação de suas obrigações. Segundo Crosetto, o relacionamento que prevê a presença e o uso de estruturas americanas na Itália tem sido parte constitutiva do sistema de segurança nacional e do sistema de alianças do Ocidente.
Rejeitando posicionamentos extremos, o titular da Defesa advertiu contra "rotture isteriche" e "subordinação infantil": a via adotada permanece a da lei, dos tratados internacionais e da Constituição, instrumentos que, na sua leitura, sustentam os "alicerces" da diplomacia e da defesa. Essas convenções internacionais, sublinhou, constituem o arcabouço de dissuasão credível que tem permitido à nação viver em prosperidade no âmbito da aliança atlântica.
O ministro também lembrou que a Itália não é caso isolado: muitos países mantêm arranjos semelhantes com os EUA, e o respeito aos acordos não equivale a envolvimento automático em um conflito que não foi desejado pelo país anfitrião. "Somos parte da OTAN", destacou, com capacidades e ativos reconhecidos pelos aliados, ao mesmo tempo em que reafirmou a capacidade italiana de fazer respeitar suas leis e tratados.
O pronunciamento de Crosetto teve repercussão diplomática: um intercâmbio de declarações com a Embaixada do Irã em Roma surgiu após menção do ministro a Hiroshima durante entrevista, mostrando como referências históricas podem inflamar diálogos multilaterais e exigir correções de curso no discurso público.
Para demonstrar a operacionalidade do sistema, o chefe do Ministério da Defesa apresentou números concretos das autorizações de uso das bases: em 2018, foram 525 pousos autorizados em Aviano, dos quais 43 classificados como "hot cargo" (materiais sensíveis ou armamentos), 120 vezes o trânsito de aviões de combate estadunidenses e 35 trânsitos de helicópteros. Em 2019, os registros apontaram 628 pousos mistos autorizados, 52 "hot cargo", 44 passagens de aviões de combate de vários tipos e 107 transitos de helicópteros. O ministro citou ainda dados relativos a 2020, em um conjunto de informações que visavam explicar a rotina e a dimensão logística do uso das instalações.
Do ponto de vista estratégico, a mensagem de Crosetto é um movimento cauteloso no tabuleiro: reafirmar compromissos sem abdicar da soberania jurídica e política. Em termos de arquitetura das relações exteriores, trata-se de preservar a credibilidade da dissuasão — o que chamo, por vezes, de "tectônica de poder" — enquanto se evita que o debate público transforme tratados centenários em pretexto para rupturas institucionais.
Em suma, a defesa da legalidade dos pactos, a transparência solicitada por alguns atores e o apelo à moderação compõem a resposta governamental. O episódio lembra que, nas grandes partidas diplomáticas, cada declaração é um lance que redesenha fronteiras invisíveis de influência; a prudência e o respeito às instituições são os meios de manter o equilíbrio do tabuleiro.