Espanha rumo às urnas: sondagens favorecem bloco de direita enquanto a área progressista permanece fragmentada
Sondagens recentes colocam bloco de direita em vantagem na Espanha; a área progressista permanece fragmentada antes das eleições de 29 de novembro.
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Espanha rumo às urnas: sondagens favorecem bloco de direita enquanto a área progressista permanece fragmentada
Por Marco Severini — Em movimento que redesenha o tabuleiro político espanhol, as eleições antecipadas marcadas para 29 de novembro colocam as forças conservadoras em posição de vantagem segundo as últimas sondagens nacionais. Os inquéritos mais citados no país apontam para um avanço do eixo composto pelo Partido Popular e pelo Vox, enquanto a coalizão progressista segue desagregada, sem um pólo centralizado capaz de inverter a maré eleitoral.
O levantamento da consultora 40dB, encomendado por El País e realizado entre 25 e 28 de setembro, atribui ao Partido Popular 31,6% das intenções de voto, ao PSOE 27,4% e ao Vox 18,4%. No mesmo estudo, a plataforma Sumar aparece com 5,6% e o Podemos com 2,7%. As formações que habitualmente sustentam, de modo periférico, o atual governo de coalizão (ERC, Bildu, PNV, BNG, Junts e Coalición Canaria) somavam pouco mais de 7%.
Um quadro semelhante emerge do inquérito da Sigma Dos para El Mundo, efetuado entre 22 de setembro e 1º de outubro: PP com 32,6%, PSOE com 25,6% e Vox com 18,3%. Sumar e Podemos registram, respectivamente, 6,6% e 3,3%.
Porém, o barómetro do centro estatal de pesquisas CIS oferece uma leitura distinta: dá ao PSOE 31% contra 25,5% do PP e 16,6% do Vox. Essa divergência sublinha não apenas diferenças metodológicas entre institutos, mas sobretudo a volatilidade e a sensibilidade do eleitorado a momentos políticos recentes.
Importante assinalar que todos esses levantamentos foram realizados antes da votação que derrubou os decretos sobre habitação, ocorrida na última sexta-feira, quando PP, Vox e Junts votaram contra, e antecederam as subsequentes manifestações de rua que percorreram diversas cidades espanholas. Esses fatos recentes funcionam como variáveis de última hora, capazes de alterar pequenos, porém decisivos, percentuais no tabuleiro eleitoral.
Do ponto de vista estratégico, a actual configuração evidencia duas tendências centrais. Primeiro, a consolidação de um eixo de centro-direita e direita radical que, em conjunto, pode ultrapassar a barreira simbólica dos 50% das intenções de voto — uma soma que transforma a aritmética parlamentar e amplifica as opções de governabilidade desse campo. Segundo, a persistente fragmentação da área progressista, que, sem uma recomposição orgânica em torno de um núcleo hegemônico, corre o risco de ver sua capacidade de negociação e de comando reduzida.
Em termos de estabilidade regional e de equilíbrio europeu, esse deslocamento no eleitorado espanhol merece acompanhamento fino: cada movimento das peças no tabuleiro ibérico repercutirá em cadeias de influência na União Europeia e na NATO, afetando desde políticas econômicas até posturas sobre migração e habitação. A batalha eleitoral que se aproxima, portanto, não é apenas uma disputa por cadeiras — é um momento de tectônica de poder com consequências duradouras.
Como analista, acompanho com atenção a evolução das próximas semanas, quando insondáveis micro-movimentos de opinião — protestos, debates, decisões judiciais — poderão redefinir para onde se inclina a balança. Até lá, os números das sondagens desenham um cenário claro: a direita aparece fortalecida, a oposição progressista, dispersa, e o resultado final dependerá da capacidade de cada ator em movimentar alianças e consolidar votos no tempo decisivo da campanha.

