Ataque russo em Kryvyi Rih: shopping alvo de drones, 15 mortos e alerta aéreo em Kiev
Ataque russo com drones atinge centro comercial em Kryvyi Rih: 15 mortos, 130 feridos; alerta aéreo em Kiev e reunião do Conselho de Segurança da ONU marcada.
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Ataque russo em Kryvyi Rih: shopping alvo de drones, 15 mortos e alerta aéreo em Kiev
Um novo e grave capítulo na tectônica de poder que desenha o conflito ucraniano se abriu com um ataque aéreo russo que atingiu um centro comercial em Kryvyi Rih, cidade natal do presidente Volodymyr Zelensky. As autoridades ucranianas informam que pelo menos 15 pessoas morreram e mais de 130 ficaram feridas, entre elas 23 crianças, após o impacto de múltiplos drones que provocaram incêndios nas lojas do estabelecimento.
Na capital, foi emitido um alerta aéreo em Kiev depois de ouvir-se uma série de fortes explosões. As Forças Armadas ucranianas explicaram que o alerta se deu diante da ameaça de emprego de armas balísticas e solicitaram que os moradores se deslocassem imediatamente para os abrigos até o encerramento da sirene. A Aeronáutica militar registrou o lançamento de vários mísseis em direção à capital.
Do ponto de vista humano e estratégico, trata-se de um movimento duro e calculado no tabuleiro. Segundo Oleksandr Ganzha, governador da região de Dnipropetrovsk, os drones visaram diretamente o centro comercial, gerando chamas que consumiram estabelecimentos e deixaram um rastro de vítimas. As equipes de resgate trabalham no local e confirmam o número de mortos e feridos, ainda em atualização.
Em resposta ao episódio, a alta representante da União Europeia, Kaja Kallas, condenou o ataque nas redes sociais, classificando-o como demonstração da “depravação absoluta” da guerra iniciada por Moscou e qualificando o ato como um terrorismo premeditado. O tom de reprovação internacional cresce enquanto se multiplicam provas de ataques a alvos civis.
O próprio presidente Zelensky, em sua mensagem noturna, denunciou o ataque como “mirado, cruel” e uma “atrocidade absoluta”, prometendo resposta e apelando para que o mundo não permaneça em silêncio diante do que definiu como comportamentos desumanos. “É fundamental fazer tudo o possível para proteger vidas. Esta guerra russa deve terminar e o mundo deve nos ajudar”, declarou.
Paralelamente, as Nações Unidas anunciaram que o Conselho de Segurança realizará uma sessão sobre a Ucrânia na segunda-feira, 24 de agosto, às 21h (hora da Itália). A reunião foi colocada na agenda a pedido do grupo europeu E5 — Dinamarca, França, Grécia, Letônia e Reino Unido — que detém atualmente a presidência rotativa do Conselho.
Também foram relatadas novas vítimas em outras frentes: um ataque na região de Mykolaiv deixou quatro mortos, entre eles três crianças de 11 e 12 anos, segundo comunicado do ministro do Interior Ivan Vygivsky.
Na avaliação de quem observa o conflito como um grande jogo de xadrez geopolítico, estes episódios compõem um padrão de escalada que busca reconfigurar correntes de influência por meio de atos que atacam a infraestrutura civil e a moral pública. A comunidade internacional tem agora um evento diplomático — o encontro do Conselho de Segurança — para medir reações e, se possível, reconstruir os alicerces frágeis da diplomacia antes que o tabuleiro sofra outros movimentos decisivos e irreversíveis.

